domingo, 23 de agosto de 2015

Eficácia do Método de Ovulação Billings.

Por falta de conhecimento, muitos acreditam que o Método de Ovulação Billings é ineficaz
Estou aqui de volta para falar um pouco mais sobre o Método de Ovulação Billings. Desta vez, me pediram que eu falasse sobre sua eficácia.
Eficácia do Método de Ovulação Billings - 1600x1200
Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com
Permiti-me pensar na palavra eficácia e no que ela significa. Algo eficaz nos remete àquilo que promete ou que se espera que cause o resultado inicialmente pretendido. Nesses quase 20 anos como conhecedora do Método de Ovulação Billings, ouvindo as pessoas que me procuram para um atendimento, a pergunta que faço já na entrevista inicial  é essa: “ Qual é a sua motivação para aprender e utilizar o Método de Ovulação Billings, ou seja, quais são as suas pretensões, o que você espera?
Como protocolo de atendimento, essas motivações são divididas da seguinte forma:
CF ( conhecimento da fertilidade), ou seja, adolescentes e jovens que decidem reconhecer e ler os sinais do seu corpo para conhecer a sua fertilidade;
EG (espaçar a gravidez), ou seja, casais que, por motivos pessoais, no momento, querem espaçar os nascimentos e, geralmente, estão em algumas dessas situações: estão amamentando, querem interromper o uso do anticoncepcional ou ainda as que estão se aproximando da menopausa;
PG (engravidar), ou seja, casais que buscam, a partir do reconhecimento de sua fertilidade, obter uma gravidez.
Em todos os casos, o uso do Método ajuda essas pessoas ainda a monitorarem sua saúde reprodutiva. Realizamos, no Centro de Formação Famílias Novas, especializado no ensino do Método de Ovulação Billings, um relatório anual dos atendimentos realizados. No ano passado, 84 pessoas puderam fazer o reconhecimento da sua fertilidade, 60 espaçaram e 15 buscaram engravidar, inclusive com diagnóstico médico de subfertilidade e já com encaminhamentos para inseminação artificial, 7 engravidaram de forma natural usando o Método de Ovulação Billings.
Além da minha experiência pessoal e profissional, em que constato a eficácia do Método, segundo a Organização Mundial da Saúde, ele apresenta 98% de eficácia na maioria dos casos.
Apesar desses números, comumente se escuta que o Método é ineficaz, mas isso se deve à falta de conhecimento sobre ele. Poucos profissionais de saúde possuem conhecimento profundo, apreciação e compreensão, e, geralmente, não prescrevem para seus pacientes. Um dos motivos é que nas Escolas de Enfermagem ou Medicina a informação é escassa ou nula. No entanto, a natureza holística informativa e integrativa do Método de Ovulação Billings se ajusta bem à prática profissional da enfermagem e da medicina. A maioria dos usuários estão altamente satisfeitos com o uso, sendo as razões principais de satisfação comuns o autoconhecimento, o não uso de medicamentos, a naturalidade e a efetividade.
O Método de Ovulação Billings cumpre aquilo que se espera dele. Ele se baseia no reconhecimento da fertilidade mediante a percepção da sensação de umidade ou secura vulvar. Pode ser utilizado em caso de ciclos regulares e irregulares. Requer do casal um período de aprendizagem com instrutores capacitados. O autorreconhecimento da fertilidade e da infertilidade possibilita à mulher conhecer seus próprios padrões sendo capaz de detectar uma gama de desordens ginecológicas.
Concluo dizendo aquilo que comprometeria a eficácia do Método de Ovulação Billings: a primeira coisa é a ausência do registro diário no gráfico; costumo dizer que quem não faz o gráfico a cada ciclo não pode se denominar usuária do Método de Ovulação Billings. A segunda é a ausência de um instrutor qualificado para o acompanhamento, pois o Método NÃO é o da tabelinha, mas o que acompanha o Continuum Ovárico de cada mulher, e cada ciclo conta uma história diferente.
Fonte: http://formacao.cancaonova.com

Quando uma astrofísica ateia se converte a Cristo: “Eu percebi que existe uma ordem no Universo”.

image6
Repercutiu em sites de todo o planeta, recentemente, o testemunho de Sarah Salviander, pesquisadora do Departamento de Astronomia da Universidade do Texas e professora de Astrofísica na Universidade Southwestern. A incrível história da sua conversão a Cristo começa com os seus estudos científicos e culmina com a morte da filha. Vale a pena investir cinco minutos em ler o depoimento dela.
“Eu nasci nos Estados Unidos e fui criada no Canadá. Meus pais eram ateus, embora preferissem se definir como ‘agnósticos’. Eles eram carinhosos e mantinham uma ótima conduta moral, mas a religião não teve papel nenhum na minha infância”.
“O Canadá já era um país pós-cristão. Olhando em retrospectiva, é incrível que, nos primeiros 25 anos da minha vida, eu só conheci três pessoas que se identificaram como cristãs. A minha visão do cristianismo era intensamente negativa. Hoje, olhando para trás, eu percebo que foi uma absorção inconsciente dessa hostilidade geral que existe no Canadá e na Europa em relação ao cristianismo. Eu não sabia nada do cristianismo, mas achava que ele tornava as pessoas fracas e tolas, filosoficamente banais”.
Aos 25 anos, quando abraçava a filosofia racionalista de Ayn Rand, Sarah entrou em uma universidade dos EUA: “Entrei no curso de Física da Eastern Oregon University e percebi logo a secura e a esterilidade do objetivismo racionalista, incapaz de responder às grandes questões: qual é o propósito da vida? De onde foi que viemos? Por que estamos aqui? O que acontece quando morremos? Eu notei também que esse racionalismo sofria de uma incoerência interna: toda a sua atenção se volta para a verdade objetiva, mas sem apresentar uma fonte para a verdade. E, embora se dissessem focados em desfrutar a vida, os objetivistas racionalistas não pareciam sentir alegria alguma. Pelo contrário: estavam ferozmente preocupados em se manter independentes de qualquer pressão externa”.
A atenção da jovem se voltou completamente ao estudo da física e da matemática.
“Entrei nos clubes universitários, comecei a fazer amigos, e, pela primeira vez na minha vida, conheci cristãos. Eles não eram como os racionalistas: eram alegres, felizes e inteligentes, muito inteligentes. Fiquei de boca aberta ao descobrir que os meus professores de física, a quem eu admirava muito, eram cristãos. O exemplo pessoal deles começou a me influenciar e eu me via cada vez menos hostil ao cristianismo. No verão, depois do meu segundo ano, participei de um estágio de pesquisa na Universidade da Califórnia, num grupo do Centro de Astrofísica e Ciências Espaciais que estudava as evidências do Big Bang. Era incrível procurar a resposta para a pergunta sobre o nascimento do Universo. Aquilo me fez pensar na observação de Einstein de que a coisa mais incompreensível a respeito do mundo é que o mundo é compreensível. Foi aí que eu comecei a perceber uma ordem subjacente ao universo. Sem saber, ia despertando em mim o que Salmo 19 diz com tanta clareza: ‘Os céus proclamam a glória de Deus; o firmamento anuncia a obra das suas mãos’”.
Depois desse insight, a razão de Sarah foi gradualmente se abrindo ao Mistério:
“Comecei a perceber que o conceito de Deus e da religião não eram tão filosoficamente banais como eu pensava que fossem. Durante o meu último ano, conheci um estudante finlandês de ciências da computação. Um homem de força, honra e profunda integridade, que, assim como eu, tinha crescido como ateu num país laico, mas que acabou abraçando Jesus Cristo como o seu Salvador pessoal, aos 20 anos de idade, graças a uma experiência particular muito intensa. Nós nos apaixonamos e nos casamos. De alguma forma, mesmo não sendo religiosa, eu achava reconfortante me casar com um cristão. Terminei a minha formação em física e matemática naquele mesmo ano e, pouco tempo depois, comecei a dar aulas de astrofísica na Universidade do Texas em Austin”.
A penúltima etapa da jornada de Sarah foi a descoberta, também casual, de um livro de Gerald Schroeder:
The Science of God” [“A Ciência de Deus”]. “Fiquei intrigada com o título e alguma coisa me levou a lê-lo, talvez o anseio por uma conexão mais profunda com Deus. Tudo o que sei é que aquilo que eu li mudou a minha vida para sempre. O Dr. Schroeder é físico do MIT e teólogo. Eu notei então que, incrivelmente, por trás da linguagem metafórica, a Bíblia e a ciência estão em completo acordo. Também li os Evangelhos e achei a pessoa de Jesus Cristo extremamente convincente; me senti como quando Einstein disse que ficou ‘fascinado com a figura luminosa do Nazareno’. Mesmo com tudo isso, apesar de reconhecer a verdade e de estar intelectualmente segura quanto a ela, eu ainda não estava convencida de coração”.
O encontro decisivo com o cristianismo aconteceu há apenas dois anos, depois de um acontecimento dramático: “Eu fui diagnosticada com câncer. Não muito tempo depois, meu marido teve meningite e encefalite; ele se curou, felizmente, mas levou certo tempo. A nossa filhinha Ellinor tinha cerca de seis meses quando descobrimos que ela sofria de trissomia 18, uma anomalia cromossômica fatal. Ellinor morreu pouco depois. Foi a perda mais devastadora da nossa vida. Eu caí nas mãos do desespero até que tive, lucidamente, uma visão da nossa filha nos braços amorosos do Pai celestial: foi só então que eu encontrei a paz. Depois de todas essas provações, o meu marido e eu não só ficamos ainda mais unidos, como também mais próximos de Deus. A minha fé já era real. Eu não sei como teria passado por essas provações se tivesse continuado ateia. Quando você tem 20 anos, boa saúde e a família por perto, você se sente imortal. Mas chega um momento em que a sensação de imortalidade evapora e você se vê forçada a enfrentar a inevitabilidade da própria morte e da morte das pessoas mais queridas”.
“Eu amo a minha carreira de astrofísica. Não consigo pensar em nada melhor do que estudar o funcionamento do universo e me dou conta, agora, de que a atração que eu sempre senti pelo espaço não era nada mais do que um intenso desejo de me conectar com Deus. Eu nunca vou me esquecer de um estudante que, pouco tempo depois da minha conversão, me perguntou se era possível ser cientista e acreditar em Deus. Eu disse que sim, claro que sim. Vi que ele ficou visivelmente aliviado. Ele me contou que outro professor tinha respondido que não. Eu me perguntei quantos outros jovens estavam diante de questões semelhantes e decidi, naquela hora, que iria ajudar os que estivessem lutando com esses questionamentos. Eu sei que vai ser uma jornada difícil, mas o significado do sacrifício de Jesus não deixa dúvidas quanto ao que eu tenho que fazer”.
Fonte: http://blog.comshalom.org/carmadelio

Mensagem de Nossa Senhora de Anguera-22/08/2015

"Queridos filhos, não há vitória sem cruz. Caminhais para um futuro de graves conflitos. Grande discórdia haverá e os fiéis hão de chorar e lamentar. Dobrai vossos joelhos em oração. Sede fiéis a Jesus e ao Verdadeiro Magistério de Sua Igreja. Eu sou a vossa Mãe e vos amo. Peço-vos que mantenhais acesa a chama da vossa fé. Confissão, Eucaristia, Sagrada Escritura, Santo Rosário e a Consagração ao Meu Imaculado Coração. Eis as armas para o Grande Combate Espiritual. Não desanimeis. Quem caminha com o Senhor jamais será derrotado. Dai o melhor de vós na missão que o Senhor vos confiou. Depois da dor, o Senhor enxugará vossas lágrimas. Avante. Esta é a mensagem que hoje vos transmito em nome da Santíssima Trindade. Obrigada por Me terdes permitido reunir-vos aqui por mais uma vez. Eu vos abençôo, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém. Ficai em paz."



pequeninos do Reino-Obra Missionária.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

“O enfrentamento final entre Deus e Satanás será sobre a família e a vida”

Bambini Madonna Fatima pastorelli Lucia Jacinto© Public Domain/Wikipedia
Deus contra Satanás: a última batalha, o enfrentamento final, será sobre a família e sobre a vida. A profecia é da Irmã Lúcia dos Santos, a vidente de Fátima, cujo processo de beatificação começou em fevereiro de 2015.

A carta a Lúcia

Em uma entrevista concedida a La voce di Padre Pio em março de 2015, o cardeal Carlo Cafarra conta que escreveu uma carta à Irmã Lúcia pedindo orações. Na época, João Paulo II lhe confiou a tarefa de fundar o Instituto Pontifício para os Estudos sobre Matrimônio e Família, do qual hoje é professor emérito.

“No início desse trabalho – explica Cafarra – escrevi à Irmã Lúcia, por meio do bispo, porque não era permitido fazê-lo diretamente. Inexplicavelmente, ainda que eu não esperasse uma resposta (porque só lhe pedia orações pelo projeto), depois de poucos dias recebi uma longa carta de punho e letra dela – carta esta que se encontra atualmente nos arquivos do Instituto.”

Nessa carta da Irmã Lúcia, está escrito que o enfrentamento final entre o Senhor e o reino de Satanás será sobre a família e sobre o matrimônio. “Não tenha medo, acrescentava, porque quem trabalha pela santidade do casamento e da família será sempre combatido e odiado de todas as formas, porque este é o ponto decisivo.”

A coluna que sustenta a Criação

A freira de Fátima afirma que Nossa Senhora esmagou a cabeça de Satanás. E Cafarra conclui: “Advertia-se também, falando com João Paulo II, que este era o ponto central, porque se tocava a coluna que sustenta a Criação, a verdade sobre a relação entre o homem e a mulher, e entre as gerações. Quando se toca a coluna central, todo o edifício cai, e é isso que estamos vendo agora, neste momento, e já sabemos.”

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

“Não é Francisco”: o livro de Socci sobre o Papa agita o Vaticano.

Por Libero Quotidiano | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: “A Joseph Ratzinger, um gigante da esperança”. É com essa declaração de fé e de pertença que se inicia o livro “Não é Francisco” do intelectual católico e colaborador do jornal Libero, Antonio Socci, publicado pela editora Mondadori e disponível nas livrarias a partir do dia 03 de outubro. Dedicado também aos cristãos perseguidos no Iraque, o livro já levantou polêmica antes mesmo de ter chegado às livrarias. Nada que Socci não quisesse. O objetivo, escreve ele, é levantar questões sobre pontos “tão desestabilizadores e ‘proibidos’ pelo mainstream que todos evitam dizer em público”. Não são palavras exageradas. “Quais são, na verdade- pergunta Socci-, os motivos até agora desconhecidos da renúncia histórica de Bento XVI ao papado? Alguém o forçou a se afastar? Mas, acima de tudo, foi uma renúncia verdadeira? Por que não voltou então a ser apenas um cardeal, mas permaneceu como ‘Papa Emérito'”? Socci também aborda outra questão perturbadora: se, durante o Conclave que elegeu Bergoglio foram violados – como parece – as normas da Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis.  A jornalista argentina Elisabetta Piqué, de fato, revelou que Bergoglio foi eleito na quinta votação do dia 13 de março (a sexta no total), com uma série de procedimentos que teriam violado as disposições da Constituição Apostólica, que tornavam assim “nula e sem efeito a própria eleição”. Questões graves que merecem explicações aprofundadas. Aqui, os leitores do Libero encontrarão trechos grátis tomados a partir da premissa do livro, onde Socci relata sua decepção por um papa, Francisco, que ele também tinha acolhido “com os braços abertos, como era a coisa certa a ser feita, considerando que o Papa foi legitimamente eleito.”

nonina_560x280Eu admito ter sido um dos muitos que acolheram Bergoglio –  no 13 de março de 2013 – com os braços escancarados, como era a coisa certa a ser feita, considerando que o Papa foi legitimamente eleito. E também por causa de uma série de amigos comuns (que me são muito caros), que me levaram a alimentar esperanças benevolentes pelo novo Pontífice. Cheguei a lhes comunicar com muita convicção que, entre outras coisas, ele poderia contar com as minhas orações e da minha família, e com a oferta de nossas cruzes cotidianas para o cumprimento da sua elevada missão.
Me agradava o seu estilo desapegado. Os jornais o apresentavam como o bispo que rodava por Buenos  Aires em transporte público, que morava em um apartamento modesto ao invés do palácio episcopal, que frequentava pobres bairros de periferia como um bom pai ansioso em levar aos mais desafortunados a carícia do Nazareno.
Tudo isso poderia ser uma tremenda lufada de ar fresco para o Vaticano e para toda a Igreja.
Apoiei Papa Francisco no que pude durante meses, como jornalista, na imprensa. Ele me parecia um apóstolo do confessionário, devoto de Nossa Senhora. Eu o defendi das críticas prematuras de alguns tradicionalistas e até hoje ainda continuo a achar absurdas certas polêmicas daqueles que tomam como pretexto as declarações do Papa Francisco para, na realidade, atacar o Concílio Vaticano II, Joseph Ratzinger e João Paulo II, ( …) que nenhuma responsabilidade têm pelas escolhas de Bergoglio.
A partir deste ponto de vista, me considero bem satisfeito por estar entre aqueles que Roberto De Mattei considera “os mais ferozes defensores do Concílio Vaticano II.”
Assim como o Papa Bento XVI (como João Paulo II e Paulo VI), estou convencido de que o Concílio foi um evento muito valioso. Mas sim o verdadeiro Concílio, aquele que está nos documentos e faz parte do Magistério da Igreja. Outra coisa (oposta) é o Concílio “virtual”, construído pelos meios de comunicação, ou aquele, por exemplo, que é teorizado por historiadores progressistas. (…)
Sustentar hoje que as declarações de Bergoglio a Scalfari (por exemplo), no final das contas, estão em continuidade com o Papa Bento XVI, João Paulo II e Paulo VI, ou seja, que Bergoglio “encarna a essência do Concílio Vaticano II” (De Mattei ), é um absurdo. (…).
Infelizmente, hoje eu sou um dos muitos desiludidos (um sentimento que está se espalhando cada vez mais entre os católicos, embora não publicado nos jornais). (…).
Vários cardeais haviam votado em Bergoglio com a esperança de que ele iria continuar o trabalho de renovação e purificação realizada pelo Papa Bento XVI, esperava-se que ele irrompesse na Cúria do Vaticano e (metaforicamente) a demolisse quase como pelo fogo de João Batista. Em vez disso, temos que admitir que, infelizmente, pouco ou nada foi feito (apenas algumas remoções e, em alguns casos, até mesmo injustas).
Não há problema que tenha escolhido viver na residência de ‘Santa Marta’, isso também poderia ser um sinal positivo, apesar de estar muito longe de ser apenas uma pobre cela monástica . Em um dos meus livros, eu havia chegado a sonhar com um Papa que iria viver numa paróquia do município. De qualquer modo, eu apreciei a mensagem.
Mas, depois tem o problema que é o governo dessa coisa complexa que é o Vaticano e, por exemplo, o IOR, que alguém propôs que fosse fechado, já que não está bem clara a sua utilidade para a Igreja, mas que Bergoglio até agora não fechou. Muito pelo contrário! Segundo os observadores mais informados, Bergoglio multiplicou departamentos, burocracias e despesas. (…)
Esperávamos uma onda de rigor moral contra a “sujeira” (também no âmbito eclesiástico) denunciada e combatida pelo grande Joseph Ratzinger. Mas como deveríamos interpretar o sinal dado ao mundo de frouxidão e rendição aos novos costumes sexuais da sociedade e da quebra de princípios morais e das famílias?
Como interpretar a recusa do Papa Bergoglio de se opor às questões éticas, como fizeram seus antecessores heroicamente, ou também apenas “julgar”, ou seja combater a revolução cultural dos relacionamentos afetivos que destroem qualquer relacionamento sério e deixa tantos cada vez mais solitários, infelizes e escravos dos instintos? São Paulo disse: “O homem espiritual julga todas as coisas” (1 Co 2:15), e não “quem sou eu para julgar?”.
E por que não se opor à cultura da morte que não reconhece nada de sagrado no ser humano ou à onda de anti-cristianismo e anti-humanismo que, sob diferentes bandeiras, agora permeiam o mundo? (…).
Era para ter confrontado aqueles que na Igreja jogam às urtigas a reta doutrina Católica e que, das cátedras mais poderosas, demolem o coração da fé. Ao  invés, o que se viu foi cacetadas nos bons católicos, aqueles mais ortodoxos que vivem verdadeiramente na pobreza, castidade, oração e caridade.
De fato, o Papa Bergoglio só ataca aqueles que usam “uma linguagem completamente ortodoxa” porque essa não corresponde ao Evangelho (Gaudium Evangelii n. 41). Algo jamais visto ou ouvido falar em toda a  história da Igreja.
Isso para não dizer quando o próprio Bergoglio se aventura em suas desconcertantes afirmações, do tipo “se alguém não peca então ainda não é um homem”, uma tese surpreendente em que nem se dá por conta de estar negando a humanidade de Jesus e Maria, que foram isentos do pecado, e por causa disso são os modelos do ideal supremo para o homem e a mulher.
Ou quando ele erroneamente atribuiu a São Paulo a frase “Eu me glorio dos meus pecados” (Homilia em Santa Marta, 04 de setembro de 2014), algo enorme sobre o qual o site do Vaticanowww.news.va chegou mesmo a elaborar um título: “Por que vangloriar-se dos pecados”. Evidentemente, que tanto no  Vaticano, como em Santa Marta, em particular, se desconhece o que São Tomás de Aquino diz: “É pecado mortal quando alguém se vangloria de coisas que ofendem a glória de Deus”.
Esperava-se que ele socorresse as vítimas mais indefesas e desarmadas nas periferias mais remotas do mundo, ao invés, eu me recordo -com dor- que o Papa Bergoglio obstinadamente evitou levantar a voz, no verão de 2014, em prol dos cristãos massacrados pelo Califado Islâmico no Norte do Iraque, limitando-se apenas a fazer algumas declarações, sem jamais proferir um discurso vibrante (como aqueles que ele fez quando se tratava de temas politicamente corretos [nota do Fratres: como em Lampedusa]) ou um vigoroso apelo à comunidade internacional para que interviesse e desarmasse os carnífices e protegesse os indefesos massacrados.
Jamais esse Papa se voltou contra o mundo islâmico que, geralmente, humilha toda minoria, nunca uma reação contra o terrorismo islâmico, jamais pediu explicitamente uma “intervenção humanitária” (concebida especialmente por João Paulo II) que desarmasse, mesmo pela força, os carnífices e impedisse os massacres como lhe imploravam os bispos do Iraque.
E quantos patriarcas gritaram alto para que suas próprias comunidades fossem defendidas pela força do massacre iminente e fizeram uma crítica explícita à relutância do Papa pedindo-lhe para “usar sua influência de forma mais ousada na defesa dos cristãos iraquianos”.
Mas Bergoglio foi cauteloso e reticente, fazendo de tudo para não se expor. Será que estamos realmente seguros que, de frente à tragédia dos cristãos (e outras minorias) no Iraque ele não poderia assumir um comportamento mais decisivos como de seus antecessores ou como ele faz quando se trata de outras questões? (…).
Não vi sequer uma obra de verdadeira sensibilização de toda a Igreja, que mobilizasse todos à oração, que prescrevesse vigílias, novenas, jejum (estas são as armas dos cristãos) e um grande auxílio humanitário. Que contra-indicações poderiam haver para isso? Não existem, realmente.
Era necessário que se desse conforto e ajuda concreta a tantos cristãos perseguidos, humilhados, presos, mortos, massacrados, mas o papa Bergoglio, ao invés, continuou a confiar num diálogo sem condições e sem precauções, expondo-se a incidentes dolorosos como aquele de 8 de Junho de 2014, quando convidou para rezar no Vaticano, entre outros, um imã,  que ali, no solo banhado pelo sangue de tantos mártires cristãos, ignorando os discursos previamente acertados, invocou Alah para que ajude os muçulmanos a esmagar os infiéis (“dá-nos a vitória sobre os incrédulos”). (…).
Era necessário que se dissesse pelo menos uma palavra de conforto em defesa das jovens mães – como Meriam ou Asia Bibi – condenadas à morte em regimes islâmicos por sua fé cristã, ou, pelo menos se podia pedir que se orasse [publicamente] por elas, algo que o Papa Francisco nunca fez. Ele nem sequer respondeu ao apelo que lhe foi enviado por Asia Bibi, enquanto escreveu pessoalmente uma longa mensagem de saudação aos muçulmanos que jejuavam pelo o Ramadã desejando-lhes que esse possa trazê-los “abundantes frutos espirituais”. (…).
Depois viemos a descobrir que na época em que Bento XVI pronunciou o famoso discurso de Regensburg (aquele que entrou para a história por ter irritado os muçulmanos), o porta-voz do então Cardeal Bergoglio, Arcebispo de Buenos Aires, criticou publicamente o papa Ratzinger. Newsweek publicou suas palavras, sob o título: “A Arquidiocese de Buenos Aires contra Bento XVI.”
O tal porta-voz depois de algum tempo foi dispensado de suas funções, mas muitos se perguntam se e quando houve um repúdio público do que foi dito pelo bispo Bergoglio e seu apoio aberto ao discurso de Ratzinger em Regensburg. (…).
À luz desses fatos, explica-se o comportamento do atual Papa Francisco para com o Islã e os islamitas do Califado do Iraque (carrascos de cristãos e outras minorias).
Bergoglio, sempre tão crítico com os católicos, não se opõe jamais nem menos contra o lobby secularista sobre temas como vida, sexo, gênero, enfim, os princípios não-negociáveis que o Papa Bento identificou como os pilares da “ditadura do relativismo”. (…).
Era e é necessário acender uma luz para uma geração que foi jogada na escuridão do niilismo, que já não consegue sequer distinguir o bem do mal, porque lhes foi ensinado que tal distinção não existe e que todo mundo pode fazer o que quiser. Infelizmente, papa Bergoglio corre o risco de deixar-se levar por essa trágica corrente já que foi ele mesmo que disse que “cada um tem sua própria idéia do bem e do mal” e “nós devemos incitá-lo a proceder em direção ao que ele pensa que seja bom.”
Havia e há a necessidade de anunciar Cristo, nossa esperança e verdadeira felicidade na vida, a uma geração que não sabe nem menos quem é Jesus e que não sabe o que fazer da sua juventude e existência. E ela corre o risco de ser enganada ao ouvir do Papa Bergoglio que “o proselitismo é um absurdo solene” e que ele não tem “nenhuma intenção” de converter os seus interlocutores.
É claro que ele tem razão quando lembra que o cristianismo é comunicado “por atração”, mas o zelo missionário nos foi testemunhado pelos santos e “proselitismo” é o mandamento de Jesus aos seus apóstolos: “Ide, portanto, fazei discípulos entre todas as nações , batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado “(Mt 28,19-20).
Não é possível esquecer o preceito evangélico que indica a verdadeira, a grande tarefa da vida, apenas para receber os aplausos dos ricos, poderosos esnobes e anti-católicos do jornal La Repubblica, o que faz com que agora muitos se alegrem ao dizer que finalmente que temos um Papa “scalfariano.”
Há uma grande necessidade de levar a carícia do Nazareno a quem está sozinho, doente, sofrendo ou no desespero e é muito doloroso ver “cancelada” de última hora a visita do Papa ao hospital Gemelli com pessoas doentes esperando sob o sol (cujas feridas são as chagas de Cristo), enquanto ele facilmente encontra horas para se dedicar a Scalfari, ou para telefonar a Maradona  ou Marco Pannella e ir pessoalmente a Caserta apenas para se encontrar com o amigo pastor protestante. (…)
Bergoglio – de acordo com seus fãs  mais ardorosos – seria um revolucionário que visa subverter a Igreja Católica, eliminando os dogmas da fé e jogando às urtigas séculos de magistério.
O que significaria tudo isso? Se for verdade, a Igreja estaria à beira de uma explosão dramática. É assim mesmo? Vai negá-lo Padre Bergoglio? Quer tomar de volta aquela estrada, onde um dia, um jovem (ele mesmo o disse certa vez e me comoveu), encontrou os olhos de Jesus? Vai querer buscar novamente aquele olhar e Nele encontrar todos nós?
Antonio Socci

A Igreja virada de cabeça para baixo.

Por que os inimigos da Igreja são os principais defensores do Papa Francisco? Aqueles que atacaram o pontificado do Papa Bento XVI agora se encontram em defesa do de Francisco, enquanto escritores católicos como Messori e Socci são estrilados pelo Avvenire (jornal diário da conferência dos bispos italianos).

Por Matteo Carnieletto, Il Giornale – 3 de janeiro de 2015 | Tradução: Thiago Porto – Fratres in Unum.com: Sejamos sinceros: a ala mais progressista da Igreja gosta de Francisco. Esta é a ala que durante o pontificado de Bento XVI mantinha-se atacando o Papa, e agora eles estão vestidos como garotas-de-torcida papais que estão sempre em punho para defender o Papa – o Papa, por favor perceba, que é Francisco, não o Papado como uma instituição. Exatamente desde a publicação de Non è Francesco de Antonio Socci, os novos defensores da “Igreja pobre e para os pobres” não têm hesitado sair em defesa do Papa atacando duramente aquele jornalista de Siena. O mesmo ocorreu por ocasião da publicação do artigo de Vittorio Messori no passado dia 24 de dezembro. Na verdade, Paolo Farinella, um sacerdote e escritor de Il Fatto Quotidiano, que definiu o pontificado de Bento XVI como “um desastre para a Igreja”, lançou um apelo para que se encerrem os ataques ao Papa Francisco. Teria Farinella se convertido ao catolicismo ortodoxo? Nem tanto. Ele simplesmente encontrou em Francisco seu porta-voz ideal.
Entre aqueles que fizeram o apelo está o grupo “Nós somos a Igreja”, que com grande gosto expressou sua apreciação pelo ato de renúncia de Bento XVI: “o ato mais inovador do seu pontificado”; Alex Zanotelli, o missionário pacifista que disse que ele apenas veio a entender quem foi Cristo graças a Ghandi, Martin Luther King, Dom Milani e Dom Mazzolari; as comunidades-cristãs de base que, em seu sítio eletrônico, postaram a resenha de um livro intitulado The Queer God*, preferencialmente the poof God, the faggot God*, publicado por Claudiana, uma editora valdense; e finalmente (mas a lista poderia seguir adiante) está a assinatura de Dom Aldo Antonelli, “um sacerdote perturbador e vermelho” que, com candura, escreveu em 1 de novembro de 2007: “Querido Papa Bento, eu não o entendo”. E após longa série de recomendações que não lhe foram pedidas, ele concluiu: “Em meus estudos teológicos aprendi que nós sacerdotes devemos nos direcionar aos pobres pedintes desta terra como Lázaro (Lucas 16:19-31). Mas eu tenho a impressão de que você prefere ter conversações com homens comoDives”, isto é, com os ricos e poderosos.
Desse modo, esses partidos estão o inverso. Os apologistas como Messori e Socci, que sempre defenderam a fé católica, agora se encontram no papel de “adversários”, que são atacados por aqueles que, arremessando fora as vestes sacerdotais, vestem agora os trajes pontificais.
*O blasfemo título do livro publicado por uma editora valdense poderia ser traduzido pelo que se segue no texto, uma tentativa do próprio autor de traduzir “The Queer God”, que seria em português: “o deus bicha”.

Acusam as Franciscanas da Imaculada por rezar em latim, viver a pobreza, ignorar a teologia de gênero e por seu voto mariano.

Segundo o que revelou Maria Virginia Oliveira de Gristelli à InfoCatólica, o ramo feminino dos Franciscanos da Imaculada tem sido objeto de peculiares acusações por parte dos atuais responsáveis da congregação, designados pela Santa Sé. Acusam as religiosas de não compreender o que rezam, pois rezam em latim, o tipo de pobreza que praticam, de não receber formação na “teologia do gênero” e seu voto mariano.

Por InfoCatólica | Tradução: Marcos Fleurer – Fratres in Unum.comEstas seriam as recentes acusações feitas contra as religiosas:
  • «as irmãs não compreendem o que rezam», referindo-se à escolha do rito tradicional para a oração do Ofício Divino, em latim.
  • «É inconveniente a prática da pobreza tal como as Irmãs vivem», ou seja, segundo a Regra original de S. Francisco – aprovada e louvada pela Tradição e reiterada pelo Magistério muitas vezes, renunciando absolutamente a toda posse, pois seus bens são daqueles que lhes acolhem (bispos e benfeitores). O argumento que se utilizou é que contribuem ao enriquecimento de familiares e amigos que deixam em seu favor.
  • «As irmãs são mantidas na ignorância», pois em sua formação não se inclui a “teologia do gênero”.
  • Formulou-se que é inadmissível seu «voto mariano» (quarto voto da Congregação), alegando a elas que «não se pode obedecer a Nossa Senhora, senão a Deus».
Esta última acusação é ligada ao surpreendente desgosto manifestado pela Ir. Fernanda Barbiero (ex-diretora do Inst. Pontifício Regina Mundi), a Comissária designada para as Franciscanas,que referindo-se à imagem da Imaculada Conceição que estava sobre a mesa para presidir uma de suas visitas, disse às Irmãs «por favor, tirem “Esta” da aqui» para começarmos a conversar…

Segredos do Vaticano: jornal dos Bispos Italianos “Avvenire” revela que “houve uma conspiração para forçar a renúncia de Ratzinger”.

Por Antonio Socci | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: Ontem, ficamos sabendo – nada menos a partir das páginas de “Avvenire”, o jornal da Conferência Episcopal Italiana (CEI) – algo que nem mesmo eu cheguei a escrever no meu livro “Não é Francisco”, sobre a (até agora) misteriosa “renúncia” de Bento XVI.

De fato, na página 2 do jornal da Conferência Episcopal se podia ler, na íntegra, que houve “ambientes que, pelas razões habituais de poder e opressão, traíram e conspiraram para eliminar o Papa Ratzinger, apesar de reconhecê-lo como um excelente ‘teólogo’, e o “forçaram à renúncia”.
Você leu bem. É uma notícia perturbadora. Afirma-se – sem nenhuma condicional – que existem “ambientes” que “traíram e conspiraram para eliminar o Papa Ratzinger” e até mesmo “levá-lo à renúncia.”
A este ponto se torna absolutamente obrigatório citar nomes e dizer abertamente quem são eles.
Pois isso não se trata de coisa de pouca monta. Cabe aqui ressaltar que, se tudo aconteceu exatamente assim, aquela “renúncia” é inválida porque – para ser válida, sob o direito canônico – deve ser totalmente livre de condicionamentos e restrições de qualquer tipo (e, portanto, o sucessivo conclave também teria sido inválido).
O aspecto surpreendente da controvérsia é que essas linhas estão contidas em um artigo juntamente com outro e são expressamente confirmadas pelo diretor de “Avvenire”, Marco Tarquinio, que, sobre os dois artigos, escreve que eles “oferecem pensamentos e colocam questionamentos sérios”.
Nas palavras de Tarquinio, não há o menor distanciamento da notícia – dada como algo certo – sobre a “conspiração” que levou à “renúncia” de Ratzinger.
Evidentemente que Tarquinio foi também levado pela onda de ataques a Vittorio Messori – o qual  foi o alvo direto dos dois artigos – e assim, na página 2, acabou publicando esta “bomba” com a qual querem que acreditemos, com grande descaso pelo ridículo, que os “inimigos” de Francisco são exatamente os mesmos “inimigos” de Bento XVI.
De fato, esse foi o título que “Avvenire” deu ao artigo: “Messori: Inimigos de Francisco e de Bento”.
Caso Messori
Ora, o excesso de zelo de vez em quando prega umas peças bem feias, pois até as crianças estão cansadas de saber que aqueles que boicotaram incessantemente Papa Ratzinger hoje são todos defensores ardorosos de Bergoglio.
E é o que demonstra as notícias e crônicas publicadas atualmente. Tudo isso é de uma evidência solar, não apenas no mundo católico, mas também no secular, onde, entre os partidários do Papa Bergoglio, estão na linha da frente Eugenio Scalfari e Marco Pannella. Além do mais, se é ridículo afirmar que os “inimigos” de Ratzinger são os mesmos opositores de Bergoglio, mais inaceitável ainda é insinuar que Vittorio Messori poderia ser contado entre os “inimigos” de Bento XVI. Isso é realmente uma piada.
A parceria intelectual que o liga a Ratzinger é de longa data e começa com o livro que marcou época “Rapporto sulla fede”, um livro-entrevista com o então cardeal bávaro que marcou um ponto de virada na Igreja pós-conciliar porque pôs um freio na onda de “autodemolição” progressista e modernista dos anos 70 e expôs os fundamentos da reconstrução da era Wojtyla, que é a redescoberta da fé de todos os tempos.
Esse livro, entre outras coisas, fez com que ambos, tanto o cardeal como o jornalista, se tornassem alvos dos furiosos ataques dos círculos progressistas habituais. Eis como lembrou Messori em um de seus artigos: “O ‘Rapporto sulla Fede’ saiu em 1985.  Faltavam apenas quatro anos para a queda do Muro de Berlim, mas, apesar disso, dentro da Igreja vastos setores estavam ainda vivendo uma fase de enamoramento por um comunismo que haviam descoberto com paixão, igualmente tardia. Tudo naquele livro provocou a indignação de quem se dizia ‘progressista’ (e que estava prestes a acabar na contra-mão da história). Tudo, mas antes de qualquer outra coisa, a nova definição do marxismo segundo Ratzinger: ‘Não esperança, mas a vergonha nosso tempo'”.
A associação intelectual entre Ratzinger e Messori é de uma sincera estima recíproca e, com o tempo, eu creio que se tornou também uma amizade profunda.
Se tem um intelectual que podemos indicar como um símbolo da época Ratzinger (ou seja, do renascimento e reconstrução da ortodoxia) é justamente Messori. Assim, o fato de que hoje, o jornal da Conferência Episcopal Italiana ter como alvo Messori (pela enésima vez), além do mais por meio de artigos publicados (com a covarde estratégia de jogar a pedra e esconder a mão) com esse título:”Messori: ‘inimigos’ de Francisco e Bento”, me deixa literalmente indignado.
De resto, tenho certeza que Messori não se sente e não é “inimigo” nem mesmo de Francisco, pelo qual – juntamente com alguma apreciação – se limita a expor algumas de suas perplexidades.
Nas últimas décadas, os papas (de Paulo VI a João Paulo II e Bento XVI) foram “bombardeados” sem que ninguém reclamasse. Hoje, ao invés, chegamos então a um ponto de intolerância tão forte que um grande intelectual católico como Messori é jogado na fogueira, por uma nova Inquisição ideológica, apenas por expressar suas pacatas e respeitosas “perplexidades”?
Outras revelações
Além de tudo, aquele artigo — credenciado pelo diretor de “Avvenire” – antes das linhas explosivas sobre a “conspiração”, diz outra coisa que causa surpresa ao ler no jornal da CEI: “uma pessoa simples como eu tem a nítida sensação de que há uma luta de poder em ação na igreja e em torno dela, e que o ataque contra o Papa é dirigida por freqüentadores de ‘certos salões’ (…). Temo que se trate dos mesmos ambientes que, pelas razões habituais de poder e opressão, traíram e conspiraram para eliminar o Papa Ratzinger (…) e o forçaram à renúncia.”
A este ponto, seria o caso de exigir de Tarquinio, que publicou e aprovou tal artigo, que ele nos explique finalmente que “conspiração” foi essa da qual foi vítima Papa Bento XVI, que ilustre a atual “luta de poder na Igreja” e que, finalmente, revele claramente o que são esses “salões” e seus “frequentadores”.
Esta última referência, além de vaga, é absurda. Por que os “bons salões” dos poderes mundanos – como demonstra a cada dia seus jornais e diários – são todos de fãs ardentes do Papa Bergoglio.
Provavelmente, o zelo excessivo de Tarquinio ao querer exibir para qualquer poderoso da Cúria sua oposição a Messori acabou por fazê-lo escorregar numa casca de banana.
O diabo, dizem, faz as panelas, mas não as tampas. E agora nos deparamos com um jornal da CEI que afirma claramente que Bento XVI renunciou na sequência de uma “traição” e de uma “conspiração” e que hoje, na Igreja, está em ação uma “luta de poder”. Peço que Tarquinio tente colocar uma tampa nessa panela.
Talvez ele poderia fazê-lo através da publicação de outra entrevista, como aquela de alguns dias atrás, na “Radio Radical”, onde ele teceu um diálogo amigável e promissor com os radicais (saudações!) e voltou a defender o líder radical Pannella e a repetir suas críticas injustas e incoerentes contra Messori.
Até mesmo os líderes da CEI deveriam se ocupar dessa denúncia  e dar explicações sobre a “conspiração” contra Bento XVI que o “empurrou para a renúncia”, segundo o que podemos ler em “Avvenire”.
E, no Vaticano, o padre Federico Lombardi, diretor da imprensa, o que  tem a nos dizer sobre a notícia explosiva de “Avvenire” sobre a “conspiração” que levou à “renúncia” do Papa Bento XVI?
Antonio Socci
Do “Libero” 08 de janeiro de 2015

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Quais os fatores culturais que estimulam o surgimento de práticas ocultistas e satânicas em nossa sociedade?

Death-Metal

As maneiras são muito mais diversificadas do que você imagina!
O pe. Gary Thomas é o exorcista da diocese de San Jose, na Califórnia. Seu curso de preparação para o rito do exorcismo, realizado em Roma em 2005, foi a inspiração para o livro “The Rite: The Making of a Modern Exorcist” [O Rito: O Preparo de um Exorcista Moderno”], de Matt Baglio, lançado em 2010, além de servir de base para o filme “The Rite” [O Rito], de 2011, estrelado por Anthony Hopkins. O pe. Gary gosta de citar o papa emérito Bento XVI dizendo que, “quando a fé diminui, aumenta a superstição”.
Se quisermos identificar os fatores culturais que têm levado ao crescente interesse e à prática do satanismo e de outras atividades ocultas, teremos que começar observando o declínio da fé cristã no Ocidente.
O pe. Jeffrey Grob, exorcista da arquidiocese de Chicago, nos EUA, me descreveu o fenômeno durante uma recente conversa por telefone como “desencanto com a religião organizada”. Os ocidentais em geral são pessoas impacientes; “mesmo os católicos podem ​​ir atrás de curandeiros e de alternativas a Deus, no afã de soluções instantâneas”.
Mons. Patrick Brankin, exorcista da diocese de Tulsa, concorda que o declínio da fé cristã e o concomitante aumento do secularismo estão fomentando a atividade demoníaca: “Nos últimos anos, nós estamos vendo mais ação demoníaca”, afirma ele, que atribui essa tendência a uma sociedade cada vez mais laica, que se voltou para as tábuas Ouija, para a feitiçaria, para a astrologia, para a adivinhação e para outras práticas ocultistas que “abrem as portas para o demônio”.
Os três exorcistas acreditam que, em comparação com 25 a 30 anos atrás, tem havido um acentuado aumento do número de pessoas que estão se metendo com o ocultismo, seja através do satanismo, do paganismo, da idolatria ou de alguma outra modalidade.
Em “The Occult Roars Back: Its Modern Resurgence” [O Ressurgimento Moderno do Ocultismo], Richard Kyle, professor de História e Estudos Religiosos da Universidade Tabor, no Estado do Kansas, EUA, cita vários especialistas acadêmicos que escreveram sobre as causas do grande aumento do interesse pelo ocultismo. Jeffrey Russell, por exemplo, observou que, historicamente, “o interesse pelo oculto cresce significativamente nos períodos de rápido colapso social, quando os padrões estabelecidos deixam de dar respostas prontamente aceitáveis ​​e as pessoas se voltam para outras referências em busca de garantias”.
Mas, acrescenta Kyle, também há uma base de fatores para o aumento do interesse pelo oculto, conforme proposto por Catherine Albanese, que “ressalta que muita gente foi preparada pela cultura norte-americana para se voltar a si mesma e ao universo em busca de certezas religiosas. A tradição protestante tendeu a apoiar a importância do conhecimento ou da crença na religião. Depois, a ala liberal do protestantismo modificou esta abordagem, enfatizando a presença de Deus em todos os lugares e destacando o otimismo americano em relação à bondade inata da natureza humana. O caráter difusivo do liberalismo e a sua falta de limites nítidos ajudou as pessoas a se ajustarem à ideia de viver confortavelmente sem diretrizes religiosas rígidas”.
Albanese também observa que “a organização urbana e corporativa da sociedade” fragmentou todo o senso de vida comunitária. Em seu lugar, “a astrologia deu às pessoas um senso de identidade” e “as ajudou a estabelecer relações seguras com os outros. A autoajuda fez as pessoas adotarem certas medidas para conseguir a prosperidade, a saúde e a felicidade em meio às suas situações cotidianas. Videntes ofereceram cura física e orientação espiritual para lidar com os problemas do dia-a-dia”.
Ted Baehr, fundador e editor do Movieguide e autor de quase uma dúzia de livros, falou no II Congresso Mundial das Famílias sobre “Proteger as Crianças da Violência da Mídia”. Ele cita o estudioso Harold Bloom, da Universidade de Yale, que analisou “o surgimento da América pós-cristã em seu livro ‘A Religião Americana’, e que diz que o deus a quem adoramos somos nós mesmos. Ele afirma que a verdadeira religião da América do Norte é o gnosticismo, uma heresia elitista que combina filosofias místicas gregas e orientais e declara a necessidade do acesso a ‘conhecimentos especiais’ para se chegar ao mais alto dos céus”.
A palestra de Baehr incluiu definições coerentes das crenças que atualmente competem com o cristianismo para conseguir seguidores nos Estados Unidos e em grande parte do mundo: o humanismo secular, o panteísmo, o materialismo, o niilismo, o romantismo, o existencialismo, o nominalismo, o idealismo, a New Age e o ocultismo.
Richard Kyle fornece uma definição simples e moderna do ocultismo: “Primeiro, o ocultismo é misterioso, vai além do alcance do conhecimento comum. Segundo, é secreto e comunicado apenas para os iniciados. Terceiro, o oculto se refere ao mágico, à astrologia e a outras supostas ciências que alegam o conhecimento do secreto, do misterioso ou do sobrenatural”.
Até que ponto a crença no oculto é difundida? Uma pesquisa da Gallup, em 2005, revelou que três em cada quatro americanos acreditam em ocultismo.
Considerando-se que a nossa cultura proporciona um terreno fértil para o crescimento do satanismo e das práticas ocultas, contemplemos o que temos semeado neste solo receptivo. Ted Baehr traz à tona o fato óbvio de que muitas crianças não estão sendo criadas numa relação de intimidade com Deus, mas em meio a influências como “Assassinos por Natureza”, “Halloween” e “Pânico”. Será um exagero? Muito provavelmente não. Considere as séries de televisão dos últimos anos: “Vampire Diaries” [“Diários de um Vampiro”], “True Blood” [“Sangue Fresco”], “Buffy the Vampire Slayer” [“Buffy, a Caça-Vampiros”], “Charmed” [“As Feiticeiras”], “Sabrina the Teenage Witch” [“Sabrina, a Bruxa Adolescente”], apenas para citar algumas. Ou filmes de grande sucesso, como “O Exorcista”, “O Bebê de Rosemary” e “The Craft” [“Jovens Bruxas”], que empalidecem em comparação com os filmes da saga “Crepúsculo”, com faturamento bruto mundial de 3,3 bilhões de dólares, e com os filmes de Harry Potter, que arrecadaram 7,7 bilhões de dólares.
Também podemos recordar RPGs de fantasia ocultista, como “Dungeons & Dragons” [Caverna do Dragão], de 1974, e seus muitos “herdeiros”, todos ligados ao mundo da feitiçaria.
Estudos psicológicos indicam que 60% ​​dos adolescentes com dependência química apontam a música “death metal” como seu gênero musical favoritoAs letras glorificam o satanismo e o ocultismo, a anarquia, a violência, o abuso de mulheres e crianças, o assassinato, as drogas, o suicídio, o incesto, o estupro e a necrofilia. Richard Ramirez, famigerado assassino em série conhecido como Night Stalker, era obcecado com a banda de heavy metal ​(ou “death metal”) AC/DC. Satanistas adultos são conhecidos por “recrutar” novos membros em shows desse tipo de música e em convenções de jogadores de videogame.
O Dr. Baehr observa que a maioria das crianças expostas ao satanismo e ao ocultismo por meio da mídia de entretenimento não adere automaticamente a esses grupos. Mas a maioria se torna insensível aos males ali representados e uma minoria significativa acaba ficando assustada e paranoica. Ele acrescenta que “pode ​​haver consequências de longo prazo ao se assistir a material antissocial” e, “lamentavelmente, de 7% a 11% dos adultos e até 31% dos adolescentes dizem querer copiar aquilo que veem”. 
Existe ainda outra forma de a nossa cultura promover a opressão demoníaca. Como explica o pe. Thomas, as pessoas atacadas por demônios têm muitas vezes feridas na alma, por terem sofrido abusos físicos ou sexuais na infância, o que muda a sua percepção da vida e de si mesmas e a sua capacidade de se relacionar com os outros. “Os demônios”, diz ele, “estão sempre à procura de seres humanos com relações fragmentadas”.
Os demônios podem possuir ou oprimir uma pessoa através dos seus sentidos; eles precisam de uma abertura que torne a vítima vulnerável. As “aberturas” mais comuns, de acordo com o pe. Thomas, incluem o vício em pornografia na internet e o uso de cocaína, metanfetamina e outras drogas que causam alucinações.
A obra “O Reino do Oculto”, de Walter Martin e outros autores, traça o perfil de adolescentes do sexo masculino atraídos para o satanismo e para ocultismo por serem pessoas psicologicamente machucadas, rebeldes, hedonistas e niilistas, usuárias de drogas, solitárias e mal-sucedidas. Eles se sentem “impotentes, isolados e vítimas”, e o satanismo lhes dá uma sensação de controle, de status e de pertencimento a um grupo.
Já os adultos são mais frequentemente atraídos para os cultos satânicos pelo seu elitismo, secretismo, hedonismo, pornografia, prostituição e desejo de adquirir poderes mágicos.
O pe. Thomas salienta que não devemos temer os ataques demoníacos. O seu filho ou o seu neto que joga RPG e a sua filha ou a sua neta que “ama” algum personagem de “Crepúsculo” não vão necessariamente acordar de repente com os olhos esbugalhados e falando fluente aramaico. Mas o pe. Thomas recomenda quatro meios cotidianos para nos protegermos dos ataques demoníacos: uma vida vivida de acordo com a boa moral, uma vida de oração, uma vida de fé e uma vida sacramental.
Todos nós faríamos muito bem se aceitássemos essas recomendações. 
Fonte: www.aleteia.org

”Êxodo: deuses e reis’ atraí multidões aos cinemas no Brasil. No Egito, o mesmo filme é ‘proibido’.

304642.jpg-c_640_360_x-f_jpg-q_x-xxyxx
O filme “Êxodo: Deuses e Reis” estreou no Brasil no dia 25 de dezembro e no primeiro final de semana se tornou o campeão de bilheteria, atraindo uma multidão de espectadores para as salas de cinema.
A obra dirigida por Ridley Scott conta a história de Moisés, mostrando toda a história bíblica do profeta que tirou os judeus da opressão do Egito, fazendo-os atravessar o Mar Vermelho e a vagar pelo deserto em busca da terra prometida.
O longa tem Christian Bale no papel principal e outros nomes como Joel Edgerton, John Turturro, Sigourney Weaver, María Valverde, Ben Kingsley, Ben Mendelsohn e outros.
A história de Moisés atraiu 919.088 espectadores brasileiros até os cinemas entre a quinta-feira (25) e o domingo (28), segundo dados da Rentrak. Em segundo lugar entre os mais vistos está o desenho da Disney “Operação Big Hero” que atraiu 452.643 pessoas.
“Êxodo: Deuses e Reis” faz parte da série de filmes bíblicos que estão sendo produzidos em Hollywood. No começo do ano o filme “Noé” estreou atraindo mais de 1,3 milhões de pessoas aos cinemas encerrando a série de exibições em maio com 4.882.842 ingressos vendidos em todas as regiões do país.
***
O filme “Êxodo: Deuses e Reis” teve sua exibição proibida no Egito depois que o departamento de censura assistiu uma cópia do longa que estreou na última semana em diversos países do mundo.
Para o chefe da censura, Abdel Sattar Fathi, o longa que narra a vida de Moisés “tenta transferir informação distorcida de cenas religiosas e históricas”.
Em entrevista ao jornal Al Watan Fathi explicou que a obra cinematográfica tem alguns erros como mostrar que “os judeus estiveram envolvidos na construção das pirâmides de Guiza como povo eleito por Deus”. Ele também lamentou que o filme passe uma imagem errada sobre os egípcios mostrando-os como “demagogos” e torturadores de judeus.
Êxodo: Deuses e Reis tem a direção de Ridley Scott tento o ator Christian Bale como protagonista. Apesar das críticas positivas, o longa enfrenta essa condenação por parte dos muçulmanos que reclamam, além dos assuntos acima citados, da parte onde Deus aparece encarnado na foto de um bebê.
Quando uma obra vai contra o que o islã prega o Egito veta sua exibição, em março deste ano o filme “Noé” foi considerado contrário à lei islâmica e por conta disto a instituição religiosa Al-Azhar solicitou a proibição do longa no país.
Fonte: G Prime

Darth Vader, Lex Luthor e Coringa: “inimigos externos”


Dentre todas as leviandades que marcam a reação do Governo às descobertas do petrolão, a insinuação da Presidente Dilma Rousseff de que os problemas da Petrobras tenham a ver com ‘inimigos externos’ é a mais cínica e inaceitável — ainda mais para uma mandatária cuja própria biografia está misturada a tudo que aconteceu na Petrobras nos últimos 12 anos, tanto por ter sido ministra de Minas e Energia e Casa Civil quanto por ter presidido o conselho de administração da empresa.

Antes mesmo de produzir a fantasia sobre “inimigos externos” — talvez os alienígenas de Orson Welles em sua fictícia “Guerra dos Mundos” — a Presidente Dilma passou o mês de dezembro empenhada em outra mistificação: a ideia de que é preciso nomear um ‘ministério Frankenstein’ para governar o Brasil.

Convenhamos. Depois de todo o aparelhamento e pilhagem que os últimos governos patrocinaram na Petrobras, e depois daquele papo de que havia entendido o recado das urnas (de que o País queria mudança), a Presidente devia aos brasileiros um ministério minimamente qualificado, jamais um concurso de incompetência entre derrotados nas urnas e gente admitidamente ignorante.

Quando a política é apenas ‘a arte do possível’, quando não há ousadia nem coragem, quando falta criatividade para se construir um caminho alternativo ao mau caminho, a política perde sentido. Passa a ser uma farsa — ou um fim em si mesmo.

Todo mundo já sabia que o PT é avesso à autocrítica — e a despedida à la Richard Nixon de Gilberto Carvalho (“I am not a crook”) sepultou qualquer dúvida — mas agora sabemos que também a Presidente é incapaz de uma reflexão e de uma admissão de suas responsabilidades pessoais. Mesmo ela, dona de 51,64% dos votos válidos. Segundos mandatos servem justamente para isto: permitir mudanças de rota e reconhecimentos difíceis. Mas no Brasil, é mais fácil uma empreiteira ter um contrato limpo com a Petrobras do que um político admitir que errou.

A (boa?) notícia é que a Presidente Dilma não inventou esse “diversionismo da incompetência.”

Quando se trata de se eximir de responsabilidade e invocar ‘inimigos externos’, a Argentina tem currículo. A ‘senha’ de que é hora de achar um gringo-nada-a-ver-com-a-estória para botar a culpa já foi captada em Buenos Aires. Numa entrevista ao Página12 publicada neste domingo, o ministro da economia portenho, Axel Kicillof — uma cruza intelectual de Arno Augustín com Leonel Brizola — afirmou que Argentina e Brasil vêm sendo “vítimas de um ataque financeiro de fundos especulativos com fins políticos,” segundo relato da AFP.

“O ataque simultâneo contra Argentina e Brasil está gerando um descalabro financeiro na região”, disse Kicillof, interditando qualquer relação de causa e efeito entre sua própria política econômica e o tal ‘descalabro’. Disse ainda que se trata de “uma estratégia generalizada que está utilizando a questão financeira como campo de batalha contra determinados processos políticos”.

Então ficamos assim: você é acionista de uma padaria junto com um sócio. O sócio emprega os parentes no negócio, dá descontos inexplicáveis para os amigos, compra trigo superfaturado, a padaria quebra… e a culpa é do banco que veio cobrar a duplicata.

Depois de Lula, Kirchner e Rousseff, o “Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano” terá que ser reeditado com outro título: o “Manual do Cínico Latino-Americano.”

Kicillof se referia especificamente ao fundo de investimentos Aurelius, de Nova York, que foi à Justiça dos Estados Unidos para receber pagamentos como credor da dívida argentina e agora exorta os credores da Petrobras a notificarem a empresa.

O Aurelius “acaba de iniciar uma campanha contra a Petrobras, alegando que a estatal brasileira fraudou informações financeiras”, explicou Kicillof, falando do que desconhece e se metendo onde não deve. “Este paralelo (entre a dívida da Argentina e a situação da Petrobras) não é gratuito nem casual."


É verdade que o Aurelius quer fazer valer seus direitos e ganhar dinheiro com isso — e exatamente o que o Governo deveria querer para a Petrobras. O único ‘processo político’ que está sendo perturbado aqui é o roubo avassalador do patrimônio público. O fim deste roubo (e suas repercussões judiciais) atinge interesses próximos à Presidente Dilma, e não tem nada a ver com inimigos externos.

Em vez de encarar o problema de frente e chamar as coisas pelo que são, a Presidente faz lembrar aquele verso de Cazuza em ‘Ideologia’: “aquel(a) garot(a) que ia mudar o mundo/agora assiste a tudo em cima do muro.”

Nos anos 70, Dilma Rousseff travou uma batalha de vida ou morte contra um inimigo real: uma ditadura que a torturou e assassinou brasileiros. Agora, sem assunto, sem ideias e sem boas desculpas, busca um novo inimigo a quem debitar a implosão da Petrobras. Pode tentar Darth Vader, Lex Luthor, o Coringa.. e ver se alguma coisa cola.  

Fonte: Veja Mercados - Geraldo Samor