quinta-feira, 1 de março de 2012

Ele sabe tudo sobre você.


Mark Zuckerberg, aí ao lado, criou uma máquina de ganhar dinheiro que se alimenta de informações sobre nós todos. É o Facebook. Ele invadiu a nossa vida – e ficou bilionário com o que damos a ele de graça

BRUNO FERRARI, COM LUÍZA KARAM, NATHALIA PRATES E TONIA MACHADO

HAPPY HOUR Mark Zuckerberg  em seu bar favorito em Palo Alto,  na Califórnia. O antissocial virou o rei das redes sociais (Foto: Bret Taylor/August/Latinstock)
Você sabe dizer quanto vale? Deixe de lado fatores subjetivos, como seus valores morais, habilidades profissionais e perspectiva de vida. Quanto você vale em dinheiro? Se você é um dos 845 milhões de usuários do Facebook no mundo – só no Brasil são 36 mi-lhões –, essa pergunta foi respondida na semana passada: você vale exatos US$ 88,75, cerca de R$ 152. Depois de meses de prepara-ção, a maior rede social da internet entregou os documentos necessários para realizar sua oferta pública de ações (IPO, na sigla em inglês) na Bolsa de Valores de Nova York. 
O objetivo da empresa é captar US$ 5 bilhões a partir de maio, quando os papéis do Facebook estarão à disposição dos investidores. O preço que cada uma dessas ações atingir no lançamento vai determinar o valor total da empresa, que está sendo estimado entre US$ 75 bilhões e US$ 100 bilhões. Com base nessas projeções, empresas calcularam o valor por usuário ou “quanto você vale” no Facebook. Basicamente, é uma divisão de US$ 75 bilhões por 845 milhões de usuários. A Apple fatura vendendo iPhones, iPads e computadores Macs. A Microsoft fatura vendendo licenças do sistema Windows ou consoles do videogame XBox 360. O Google ganha dinheiro com anúncios atrelados a seu serviço de busca. E o Facebook ganha dinheiro apenas com suas informações. É o que você posta, escreve, joga, compartilha, lê, comenta, curte e cutuca que fez com que a empresa lucrasse US$ 1 bilhão em 2011. Isso pode transformá-la, agora, na sétima companhia de tecnologia mais valiosa do mundo.  Quem conseguiu transformar essas informações em dinheiro foi o jovem americano Mark Zuckerberg, fundador e principal execu-tivo da empresa. Com apenas 27 anos, ele é hoje um dos homens mais ricos e influentes do mundo. O Facebook, criado em 2004 no alojamento de estudantes da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, inventou um negócio com base na oferta de espaço digital (ilimitado e gratuito) para que os consumidores se relacionem. Em troca, os dados sobre tudo o que esses consumidores fazem – tudo o que você faz! – são vendidos às empresas interessadas em se relacionar com eles, na forma de anúncios publicitários. Oitenta e cinco por cento do faturamento de US$ 3,7 bilhões obtido pelo Facebook no ano passado veio assim. Sistemas inteligentes analisam rios de dados gerados pelas ações dos usuários e criam “cestas de perfis” para quem quiser explorá-los. Como funciona? O Facebook, por exemplo, calcula quantas mulheres paulistanas entre 20 e 30 anos acabaram de mudar seu status de relacionamento para “noiva”, ofe-rece essa informação a uma produtora de festas e cria um anúncio para sair na coluna lateral do perfil das noivas. Da mesma forma, se alguém “curte” uma página de comida saudável, pode ser o cliente ideal para anúncios de vegetais orgânicos. Se posta vídeos de futebol, se menciona livros de economia, se comenta sobre mergulhos, se pu-blica fotos das Ilhas Fiji – as possibilidades de exploração comercial das informações são infinitas, e todas elas são armazenadas nos bancos de dados do Facebook. Com o passar do tempo, eles se tornam verdadeiros oceanos de dados nos quais as empresas podem pescar o que desejarem saber sobre os consumidores. 
Além de franquear informações sobre seus usuários, o Facebook também permite que as empresas criem as próprias ações de marketing no site. Elas podem montar páginas oficiais no Facebook, onde reúnem consumidores, fazem promoções e criam desafios e jogos. Tudo com o intuito de que seus clientes compartilhem cada vez mais informações e façam, no boca a boca, publicidade gra-tuita da marca. Mais de 25 milhões de pessoas no mundo se deram ao trabalho de entrar na página do biscoito Oreo no Facebook e clicar no botão “Curtir”. Com isso, recebem as últimas informações sobre o produto e participam de promoções. No Brasil, a página do Guaraná Antarctica reúne quase 4 milhões de fãs. “Mais de 4 milhões de empresas têm páginas no Facebook que são usadas para ter um diálogo com seus clientes”, diz Zuckerberg.
A NOVA SEDE A fachada do escritório do Facebook em Menlo Park, na Califórnia. O prédio pertencia à Sun Microsystems (Foto: Robert Galbraith/Reuters)
A questão da privacidade
O sucesso do modelo de negócio criado pelo Facebook traz uma polêmica que acompanha a empresa desde seu nascimento. Até que ponto uma companhia de internet tem o direito de acompanhar a vida pessoal dos usuários para desenvolver estratégias de mar-keting a partir delas? O Facebook já enfrentou críticas e foi levado aos tribunais pela forma como atropela os direitos de seus usuários e faz uso pouco transparente das informações que eles colocam no site. As políticas de privacidade da empresa são explicadas em centenas de páginas (difíceis de encontrar nas entranhas do site) e, uma vez encontradas, são escritas de uma forma que repele a leitu-ra e a compreensão. Ao contrário da adesão ao Facebook, que é feita em minutos por qualquer criança, obter informações sobre os direitos dos usuários no site pode levar muito tempo e exige paciência e habilidade.
Carina Vilar (Foto: Filpe Redondo/ÉPOCA)
Determinado a descobrir o que o Facebook sabia sobre ele, o estudante austríaco Max Schrems pressionou a empresa de todas as formas. Depois de uma longa disputa legal, conseguiu, no ano passado, que o Facebook lhe enviasse um CD com todos os dados gerados em seu perfil durante três anos. O CD continha mais de 1.200 páginas de informações privadas, inclusive todas as mensagens que ele deletara. Segundo Schrems, isso contraria explicitamente os compromissos legais do Facebook. Nos últimos anos, as políticas de privacidade e de direitos dos usuários sofreram várias mudanças unilaterais por parte do Facebook, sempre na mesma direção – a publicação indiscriminada das informações que as pessoas colocam em seus perfis e das mensagens que trocam com seus amigos no interior do site, e mesmo fora dele. Cada vez que o Facebook lança um pacote de novidades para os internautas, é alvo de reclama-ções de quem vê suas informações pessoais tornarem-se repentinamente públicas.
Em 2007, o Facebook lançou um serviço chamado Beacon. Ele revelava o que os usuários faziam e o que compravam em sites que se integravam à rede social. Depois, criou um sistema que reconhecia e marcava automaticamente as fotos de usuários, com base numa poderosa ferramenta de reconhecimento facial. Recentemente, o Facebook estreou um recurso chamado “linha do tempo”, que organiza e publica por conta própria tudo o que o usuário já postou: fotos, vídeos, mensagens, interações com amigos... No iní-cio, a adesão a essa forma de apresentação do perfil foi voluntária. Quando os internautas hesitaram, o Facebook anunciou que a mudança seria compulsória – e gerou uma onda de protestos irados. Ficou claro que a “linha do tempo” poderia ressuscitar fotos de ex-namorados – ou vídeos comprometedores de festas – publicadas numa época em que apenas meia dúzia de amigos íntimos tinha acesso ao perfil de cada um dos usuários. Em resumo, o Facebook se preparava, novamente, para tornar pública mais s uma camada de informação que antes parecera protegida pela privacidade. O resultado apareceu numa pesquisa realizada pela empresa de segu-rança Sophos: menos de 10% dos usuários aprovaram a mudança em seus perfis. Mesmo assim, o Facebook anunciou dias atrás que a linha do tempo será ativada em todos os perfis, sem necessidade de autorização. Por sete dias, apenas o próprio titular terá acesso a ela, podendo fazer modificações. Depois disso, a vida de cada um dos internautas no Facebook estará aberta.
O objetivo de Zuckerberg com essas constantes reduções do espaço privado é manter os internautas mais tempo em suas páginas, conversando e vasculhando os perfis uns dos outros. Ele percebeu muito cedo, ainda na universidade, que a maioria de nós tem uma curiosidade ilimitada sobre os outros e um desejo irrefreável de conversar e partilhar novidades sobre nós mesmos. Zuckerberg identi-ficou esse comportamento antes de 2004, ao criar o site FaceMash, um embrião do que viria a ser o Facebook. O site roubava fotos de alunos publicadas nos sites pessoais de Harvard e promovia uma competição para determinar quem eram as alunas mais bonitas. Os acessos foram tantos que derrubaram os computadores centrais da universidade.
Posto, logo existo 
Filipe Soldati (Foto: Isadora Brant/ÉPOCA )
Desde então, Zuckerberg vem ajudando a moldar uma geração inteira que ficou conhecida como “posto, logo existo” – gente in-capaz de usufruir um momento privado sem a antecipação do prazer de partilhá-lo on-line. Conhecido por ter um temperamento recluso e quase antissocial, o próprio Zuckerberg não é bem assim. Ele achava os colegas de universidade frívolos, preocupados demais em aparecer. Olhando de fora, percebeu que a internet, com seu potencial infinito de compartilhamento de informações, poderia alterar dramaticamente os conceitos de público e privado – e se aproveitou astutamente disso. Afirma que não havia mais nenhuma expectativa de privacidade na internet. “As pessoas estão cada vez mais confortáveis não apenas em partilhar informações, mas em fazê-lo mais abertamente e com mais pessoas”, disse no ano passado, numa das declarações mais francas que fez sobre o assunto. “Essa é uma nova norma social, que evoluiu com o tempo.”
O comportamento de milhões de internautas parece dar razão ao criador do Facebook. Se há uma parcela que protesta quando sua privacidade é ameaçada, outra parece não se importar em se expor para conseguir chamar a atenção dos amigos ou fazer novos contatos pessoais. É a geração que tem necessidade de colocar no ar, pelo Facebook, tudo o que faz no dia a dia. A garçonete Carina Vilar, de 31 anos, leva seu notebook aonde quer que vá, para acompanhar instantaneamente as atualizações e os comentários do Facebook. Em seu perfil na internet, além de divulgar o bar em que trabalha em São Paulo, ela posta fotos insinuantes em que mostra partes do corpo. Tem alguma preocupação com o risco de sua imagem ser usada sem autorização? “Nem penso nisso. Quero que as pessoas me vejam”, afirma. “Privacidade é estar no banheiro, de porta trancada. Fora de lá, isso não existe.”
Como um número cada vez maior de pessoas pensa e age como Carina, o Facebook e a mentalidade do “posto, logo existo” não pa-ram de crescer. “A nova noção de privacidade está ligada à internet. Privado é aquilo que você não quer expor no mundo virtual”, afirma Marcelo Coutinho, professor da Fundação Getulio Vargas e pesquisador do mercado digital. Na verdade, parece haver ao me-nos duas noções de privacidade conflitantes convivendo no século XXI. A mais tradicional, desenvolvida num mundo de baixa tecno-logia e de elevadas barreiras morais, se escandaliza com a profusão de imagens e informações veiculadas na internet. A mais recente, abraçada pela geração que cresceu com as redes sociais e com as possibilidades da comunicação instantânea, cultiva limites muito mais fluidos sobre o que é apropriado tornar público sobre si mesmo.

Zuckerberg e seu Facebook transitam nessa fronteira, tentando empurrá-la para o lado do total descontrole, em que tudo possa ser publicado e partilhado indiscriminadamente. Muitos acreditam que esse mundo já chegou. Sherry Turkle, diretora do Centro de Estu-dos de Ciências Sociais do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), disse a ÉPOCA que as políticas de privacidade apresenta-das pelos sites são totalmente ilusórias. “É impossível saber o que circula a nosso respeito na internet”, afirma. “Temos a sensação permanente de que coisa alguma está sob nosso controle.” Segundo ela, a própria forma contemporânea de encarar a intimidade permite isso. “As relações humanas apresentam demandas por contato, por sentimento. A tecnologia nos permite eliminar essas necessidades e transformar ligações íntimas em meras conexões, sem que notemos.”

Certamente a internet promoveu grandes mudanças de comportamento. Três dias após o início da 12a edição do Big Brother Brasil, em janeiro, vazou na internet um vídeo amador do empresário Filipe Soldati. Ele cantava “Azul”, de Djavan, numa casa noturna de Belo Horizonte. O vídeo teria passado despercebido não fosse Filipe o ex-noivo de Renata Dávila, uma das participantes do BBB. A cantoria amadora registrou mais de 10 mil acessos em 72 horas e estimulou o rapaz de 30 anos a tentar a sorte. Filipe abandonou suas funções administrativas na empresa da família para se dedicar integralmente à “carreira musical” – e seu principal instrumento de divulgação, claro, é o Facebook. Ele mantém dois perfis nas redes sociais. São 400 fotos, muitas delas de sunga e alcoolizado. “Não tenho pudor, gosto de publicar tudo. O que é bonito deve ser mostrado”, diz o modesto aspirante. A cada dia, Filipe publica 30 posts. Além de poemas e declarações públicas de amor à BBB, ele chegou a comentar sobre o ciclo menstrual da ex e afirma que ela sofre de ninfomania. “É uma forma de cativar meus fãs e aumentar meu número de seguidores”, afirma. Antes da entrada de Renata no pro-grama, Filipe tinha pouco mais de 700 amigos. Hoje, 5.800 pessoas acompanham seu Facebook. Tornou-se uma nanocelebridade e não nega nada a seu público. “Sou um cara bem aberto e espontâneo. Minha vida é exposta mesmo.”
O novo narcisismo 
Os novos bilionários (Foto: divulgação)
“A banalidade e a efemeridade sempre fizeram parte da condição humana”, diz o filósofo Luiz Felipe Pondé. A internet só escanca-rou essa debilidade. Ele acredita que a exposição extrema nas redes sociais tem mais a ver com narcisismo do que com qualquer nova noção de privacidade. “As pessoas escrevem besteiras no Facebook para ser vistas. É só uma questão de autoestima”, diz ele. Quem se dedica a estudar os dilemas da privacidade moderna vê as coisas de forma mais complexa – e teme pelo que possa acontecer no futuro. Ryan Calo, diretor de pesquisa sobre privacidade da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, disse a ÉPOCA que privacidade é o mesmo que controle de informação – e que ela é essencial ao ser humano. “Você precisa de privacidade para ser um indivíduo real”, afirma. Para ele, não é à toa que em romances como 1984, de George Orwell, e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, o que há de mais assustador é a perda da intimidade, da possibilidade da vida privada. “Quando perdemos a privacidade, perdemos também nossa essência. Sem ela, não sabemos realmente quem somos.”
“Quando perdemos
a privacidade, perdemos também nossa essência. Sem ela, não sabemos realmente quem somos”, afirma um pesquisador de Stanford 
A punição para quem perde o controle sobre si mesmo pode ser fulminante. Em 2008, João Marcelino Rocha saiu de Caçapava, no interior de São Paulo, para trabalhar no emprego dos sonhos. Foi contratado como videomaker por uma renomada produtora de histórias em quadrinhos da capital. Menos de dois meses depois, foi demitido, por postar informações consideradas sigilosas pela empresa. João Rocha ficava tão deslumbrado em acompanhar de perto os bastidores da produção de filmes que passou a compartilhar essas informações em comunidades de fãs de gibis, no Facebook. “Eu era o fã mais próximo dos meus ídolos e me deixei levar pelo fanatismo.” Seu chefe e ídolo o chamou para uma conversa e advertiu: ou continuava como funcionário sério ou seria um fã demitido. Pouco tempo depois, João Rocha perdeu o emprego. “As pessoas ficavam receosas em me contar as novidades, e meu trabalho foi perdendo sentido”, diz. “Perdi minha credibilidade e passei a ser visto como um fã bobo.” Hoje, João Rocha trabalha numa agência de mídias sociais em São Paulo e administra contas de Facebook de outras empresas. “Aprendi a me policiar mais e posto apenas o necessário.”
 
João Rocha (Foto: Camila Fontana/ÉPOCA)
Na carta que divulgou na semana passada, quando apresentou os documentos para abertura de capital do Facebook, Zuckerberg tratou dessas questões com uma retórica heroica e otimista. “O Facebook não foi criado para ser uma empresa. Ele foi construído para realizar uma missão social: tornar o mundo mais aberto e conectado”, escreveu. É o mesmo discurso idealista que o Google usou em seus primeiros anos de vida, quando tinha o slogan informal “Don’t be evil” (“Não seja mau”). Mas a carta vai além. Zuckerberg deixa claro aos investidores que a empresa está disposta a investir em novas ferramentas que incentivem seus usuários a partilhar entre si um volume cada vez maior de informações – que poderão ser, de alguma forma, usadas pelas empresas. “Compartilhando mais, as pessoas têm acesso a diferentes opiniões sobre produtos e serviços”, afirma. “Isso torna mais fácil a descoberta de novos produtos e melhora a qualidade e eficiência de nossa vida.”
A abertura de capital do Facebook impõe à empresa novos desafios. Haverá, sobretudo, pressão dos acionistas para atrair cada vez mais dinheiro. Isso significa que o Facebook terá de continuar crescendo em assinantes – e convencendo seus usuários a depositar mais e mais informações em seus perfis. O futuro do Facebook depende, resumidamente, de quanto as pessoas estarão dispostas a expor de sua vida, em troca de um serviço gratuito e instantâneo que as coloca em contato, 24 horas por dia, de qualquer lugar do mundo, com amigos, familiares e colegas de trabalho. Para o Facebook prosperar nos próximos dez anos, será preciso um mundo onde as relações sociais e a ideia de privacidade sejam substancialmente diferentes do que são hoje.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Portugal rechaça adoção gay!!!



O Parlamento de Portugal rechaçou um projeto de lei que procurava conceder a adoção de crianças a casais homossexuais, cujas uniões legais neste país europeu desde ano 2010.

Na sexta-feira 24 de fevereiro a proposta só recebeu apoio de 8 deputados comunistas e de 39 dos 74 socialistas. O que quer dizer que o projeto só foi defendido por 47 (pouco mais de 20 por cento) dos 230 membros do Parlamento.

O Partido Social Democrata (PSD, de centro direita) bem como o demo-cristão, que governam em coalizão o parlamento desde junho passado e que juntos representam 132 dos 230 bancos da Câmara lusa, votaram contra a proposta.

Conforme assinala a agência EFE, os 14 deputados comunistas explicaram nesta ocasião que não se pode mudar uma norma aprovada há ano e meio porque "é preciso continuar o debate" e porque "não se dão as condições" para a modificação.

Diversos especialistas ao redor do mundo assinalam que a adoção gay atenta contra a ordem natural e contra o direito que tem toda pessoa a ter pai e mãe, especialmente as crianças que foram abandonadas ou passaram pela dor de perder a ambos genitores.

A doutrina católica não aprova o mal chamado "matrimônio" gay porque atenta contra a natureza, sentido e significado do verdadeiro matrimônio, constituído pela união entre um homem e uma mulher, sobre a qual se forma a família.

Concurso para crianças (9 a 14 anos) da Câmara dos Deputados e a Ideologia do Gênero.



” Para ajudar você a já começar o ano em ritmo cidadão, a Turma do Plenarinho resolveu lançar um desafio: que tal participar de um concurso para fazer o roteiro de uma radionovela? Você não sabe o que é isso? É uma novela que em vez de ser filmada, é gravada dentro do estúdio de uma rádio. Se você ainda tá na dúvida, não conseguiu imaginar como isso pode funcionar, clique aqui e ouça a última radionovela da Turma.

Pronto? Ouviu? Então vamos ao que interessa.

Todos os meses, a Turma do Plenarinho lança uma nova história na Rádio Câmara. Já foram tratados assuntos como bullying, trabalho infantil, exploração sexual.

Agora é a hora de falar de gênero. A gente quer saber o que vocês pensam sobre as diferenças entre meninos e meninas. Elas existem? Se existem, onde estão? Será que brincar de bonecas é coisa mesmo só de menina? Por que será que, nos contos de fadas, as princesas só cuidam de casa e dos filhos enquanto os príncipes estão sempre na floresta caçando?

E se um menino gostar de cuidar de casa, então ele não é homem? Hummm, interessante, né?

O Plenarinho vai selecionar o melhor roteiro de radionovela escrito por crianças e adolescentes com idades entre 9 e  14 anos sobre o tema “Gênero”. O objetivo é proporcionar a reflexão, entre os estudantes, sobre a tradição de se considerarem certas atividades como tipicamente masculinas e outras como exclusivamente femininas.
A reflexão sobre a questão de “gênero” nas escolas tem sido cada vez mais recorrente entre pedagogos e outros profissionais de Educação. Diante do crescimento do fenômeno conhecido como “bullying”, é comum ver meninas que jogam bola e meninos que gostam de realizar tarefas domésticas receberem apelidos depreciativos, como forma de crítica à adoção de comportamentos considerados masculinos e femininos, respectivamente.
O assunto é motivo de preocupação entre os especialistas da Organização das Nações Unidas.( Sempre a ONU!!)
Com o objetivo de identificar como as crianças lidam com a questão de “gênero”, o Comitê para a Eliminação da Discriminação contra as Mulheres está realizando uma pesquisa com estudantes e professores de todo o mundo. Para participar, basta responder a questionários disponíveis na internet.
Na Câmara, a equipe do portal Plenarinho também quer estimular crianças e adolescentes brasileiros a refletir sobre o assunto. Para isso, está promovendo um concurso que vai selecionar o melhor roteiro de radionovela escrito por estudantes com idades entre 9 e 14 anos sobre a questão de “gênero”. O vencedor vai ter o texto adaptado para veiculação na Rádio Câmara e receber um jogo, DVD e livro como prêmio. O texto deve ter, no máximo, três páginas (folha A4), redigido em fonte 12, Arial ou Times New Roman, com espaço duplo.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

México pede que G20 fortaleça liderança mundial e elimine fronteiras.



México, 24 fev (EFE).- O México, que exerce a presidência rotativa do G20 (grupo dos vinte países mais ricos do mundo), pediu nesta sexta-feira iniciativas que fortaleçam uma "liderança mundial forte" e a eliminação das fronteiras que bloqueiam a cooperação internacional.

As declarações foram feitas pelo presidente do Banco do México, Agustín Carstens, e o secretário de Fazenda mexicano, José Antonio Meade, na véspera de uma reunião de ministros de Finanças do G20 e de outros países.

Os ministros chegarão nas próximas horas ao México e o encontro será realizado de sábado a domingo. Durante um seminário financeiro na véspera do evento, Carstens disse que a crise que se arrasta há quatro anos, a pior desde a grande depressão de 1929, demonstrou a incapacidade das autoridades para superar a recessão.

Carstens se referiu aos problemas surgidos na eurozona e "a fraqueza do sistema bancário europeu", fatores que coincidiram com "a incapacidade das autoridades para arbitrar políticas críveis nas nações avançadas".

O economista, além disso, expôs ideias que poderiam transformar em virtuoso um círculo vicioso, e propôs uma atuação decisiva e urgente, que deve contar com o apoio internacional.

"Não é tempo de criar mais fronteiras, é tempo de cooperação e colaboração", acrescentou Carstens, que garantiu que essa é uma das metas do México durante a presidência rotativa do G20.

O economista mexicano reconheceu que para lutar contra a crise e o impacto nas contas nacionais é preciso tomar "medidas necessárias e dolorosas", e mencionou concretamente o caso da Espanha. "Ninguém quer que as crises sigam nos arrastando", insistiu.

Entre as medidas que devem ser aplicadas, mencionou o equilíbrio no orçamento público, o estímulo à confiança nacional "com um diagnóstico valente" dos problemas do país e a recuperação da credibilidade internacional no setor financeiro.

O presidente do Banco do México lembrou que justamente neste fim de semana será abordada na reunião de ministros de Finanças do G20 a capacidade de realizar empréstimos das nações e como estabelecer uma "relação mais construtiva entre devedores e credores.

Além disso, Carstens expressou a necessidade de diminuir as consequências do impacto social dos ajustes econômicos em cada país e de aplicar reformas estruturais "que gerem mudanças rápidas na produção e também na concorrência".

O seminário no qual discursaram Carstens e Meade foi organizado pelo Instituto Internacional de Finanças (IIF) e conta com a participação de economistas de destaque e altos funcionários de instituições financeiras.

Meade disse que o G20, criado em 1999, é uma ferramenta "importante e crucial" para fazer frente à crise atual porque se transformou "no melhor fórum para um diálogo econômico".

O ministro mexicano disse que na reunião deste fim de semana serão identificados os problemas e possíveis medidas para reforçar a cooperação internacional.

"O mundo necessita de uma liderança forte, disposta a enfrentar os desafios. Necessitamos reforçar as medidas financeiras em nível internacional", opinou Meade.

Durante o seminário, o presidente do Banco Bilbao Vizcaya Argentaria, o espanhol Francisco González, disse que o G20 terá um papel importante na solução da recessão e elogiou os esforços da presidência rotativa do México, país que "demonstrou uma grande resistência frente à crise financeira global".

Antes do seminário, foi apresentado um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que analisa as medidas tomadas em diferentes países que realizaram reformas estruturais para tentar conter as causas da crise econômica.

O secretário-geral da OCDE, José Ángel Gurría, lembrou que só nos países desse organismo foram perdidos 14 milhões de postos de trabalho desde 2008.

"Devemos aplicar todas as medidas possíveis para evitar que esta crise se traduza numa geração perdida", disse Gurría ao apresentar o relatório "Apostando no crescimento. As reformas estruturais podem ser a diferença". 

Fidel Castro poderia voltar à Igreja Católica?

A possibilidade de que o líder cubano Fidel Castro deseje retornar ao seio daIgreja Católica durante a próxima visita do Papa Bento XVI à Ilha se converteu em tema de intensa especulação na imprensa italiana.

Segundo alguns meios italianos, como os jornais La Repubblica e La Stampa, Castro estaria preparando-se para ser readmitido na Igreja Católica. Em declarações ao primeiro, Alina Fernández, filha de Fidel, indicou que ultimamente seu pai "aproximou-se da religião e a Deus".

Fernández, assinalam os reportes de imprensa, é uma católica devota e visita Roma com certa freqüência.

Outro dos fatos que sugeririam a volta de Fidel à Igreja é o possível encontro do líder cubano com o Santo Padre, que o governo de Cuba não descarta "apesar de não estar no programa", conforme disse faz uns dias o embaixador cubano na Itália, Eduardo Delgado.

Delgado disse que o governo de Cuba vê a visita do Papa como uma "oportunidade para aprofundar ainda mais nas relações entre Igreja e Estado no país comunista", que melhoraram "enormemente" desde a histórica visita do João Paulo II em 1998.

Embora a reunião com Fidel Castro não esteja assegurada, o Santo Padre tem previsto reunir-se com seu irmão, o presidente Raúl Castro, que receberá ao Pontífice na cidade de Santiago de Cuba no dia 26 de março, depois para conversações privadas na capital Havana no dia 27 e, por último, despedi-lo no aeroporto ao 28 de março.

No dia 3 de janeiro de 1962, há pouco mais de 50 anos, o Papa João XIII aplicou a pena de excomunhão ao Castro depois de que o líder cubano se declarou marxista-leninista e anunciou que conduziria Cuba ao comunismo, em seu histórico discurso de 2 de dezembro de 1961, além de mostrar sua hostilidade para com a Igreja expulsando 131 sacerdotes da ilha e fechando escolas religiosas.

João XXIII teve como sustento desta medida o decreto do Papa Pio XII, elaborado pela Congregação para a Doutrina da Fé, que estabeleceu a pena de excomunhão para todo aquele que difundisse o comunismo.

“Meus filhos, não percam o valor nem a fé no Jesus Cristo”, escreve Asia Bibi.


"Meus filhos, não percam o valor nem a fé em Jesus Cristo", estas foram  palavras da cristã paquistanesa Asia Bibi, condenada à pena de morte por causa da lei de blasfêmia, ao seus filhos e ao seu esposo em uma carta inédita e agora publicada no livro “¡Sacadme de aqui!”(Tirem-me daqui!), editado pela LibrosLibres na Espanha.


O livro foi escrito na prisão por Asia Bibi em colaboração com a jornalista francesa Anne-Isabelle Tollet.


Na carta, a cristã dedica comovedoras palavras de amor ao seu esposo Ashiq e aos seus cinco filhos enquanto espera que seu pedido de clemência seja aceito ou que a pena seja executada. "Desde que voltei para minha cela e sei que vou morrer, todos meus pensamentos se dirigem a ti, meu amado Ashiq, e a vocês, meus adorados filhos. Nada sinto mais que deixá-los sós em plena tormenta", expressa a cristã.


Entretanto, a pesar do temor, Bibi alenta sua família a manter o desejo de serem felizes a pesar que a vida não é fácil todos os dias. "Somos cristãos e pobres, mas nossa família é um sol (…). Não sei ainda quando me enforcam, mas fiquem tranqüilos meus amores, irei com a cabeça bem alta, sem medo, porque estarei em companhia de Nosso Senhor e com a Virgem Maria, que me acolherão em seus braços", afirma.


O caso da Asia Bibi se converteu em notícia mundial em 2010 quando foi condenada à pena capital em aplicação da lei de blasfêmia, que pune com a morte na forca aqueles que supostamente ofendam o islã e que se converteu em uma arma de abuso contra as minorias religiosas no Paquistão e inclusive de vingança entre muçulmanos.


Atualmente há um recurso contra sua condenação. Entretanto teve que ser isolada em uma cela sem janela nem serviços higiênicos porque os muçulmanos puseram um preço na sua cabeça, incitando seu assassinato.


A carta escrita por Asia Bibi diz:


"Meu querido Ashiq, meus queridos filhos:


(...) Desde que voltei para minha cela eu sei que vou morrer, todos meus pensamentos se dirigem a ti, meu amado Ashiq, e a vocês, meus adorados filhos. Nada sinto mais que deixá-los sós em plena tormenta.


Você, Imran, meu filho maior de dezoito anos, desejo que você encontre uma boa esposa, a que você a fará feliz como seu padre me fez.


Você, minha primogênita Nasima, de vinte e dois anos, que já tem seu marido, com uma família que te acolheu tão bem; dê ao seu pai pequenos netinhos que você educará na caridade cristã como nós educamos você.


Você, minha doce Isha, que tem quinze anos, embora siga sendo meio louquinha. Seu pai e eu sempre a consideramos um presente de Deus, você é tão boa e generosa... Não tente entender por que sua mamãe já não está ao seu lado, mas entenda que você está muito presente em meu coração, tem nele um lugarzinho reservado apenas para ti.


«Não sou muçulmana, mas boa paquistanesa, católica e patriota, devota do meu país assim como de Deus.»


Cidra, não tem mais que treze anos, e bem sei que desde que estou na prisão você é quem se ocupa das coisas da casa, você é quem cuida da sua irmã mais velha, Isha, que tanto necessita de ajuda. Nada ressinto mais que tê-la conduzido a uma vida de adulto, você que é tão jovenzinha e que deveria estar ainda brincado de bonecas.


Minha pequena Isham, de apenas nove anos, e em breve perderá sua mamãe. Meu Deus, que injusta pode ser a vida! Mas como você continuará indo à escola, você ficará bem armada para defender-se da injustiça dos homens.


Meus filhos, não percam o valor nem a fé em Jesus Cristo. Dias melhores sorrirão para vocês lá encima, quando estiver nos braços do Senhor, continuarei velando por vocês. Mas por favor, peço-lhes aos cinco que sejam prudentes, peço-lhes que não façam nada que possa ofender os muçulmanos ou as regras deste país. Minhas filhas, eu gostaria que tivessem a sorte de encontrar um marido como seu pai.


Ashiq, eu te amei desde o primeiro dia, e os vinte e dois anos que passamos juntos são prova disto. Não deixei nunca de agradecer ao céu por ter encontrado você, por ter tido a sorte de um matrimônio por amor e não arranjado, como costume em nossa província. Tínhamos os dois um caráter que encaixava, mas o destino está aí, implacável… Indivíduos infames cruzaram o nosso caminho. E aí está você sozinho com os frutos de nosso amor: guarda a coragem e o orgulho de nossa família.


Meus filhos, (...) papai e eu tivemos sempre o desejo supremo de ser felizes e de fazer vocês felizes, mesmo que a vida não seja fácil todos os dias. Somos cristãos e pobres, mas nossa família é um sol. Gostaria tanto de ter visto vocês crescerem, seguir educando-os e fazer de vocês pessoas honestas… e vocês o serão! (...)Não sei ainda quando me enforcam, mas estejam tranqüilos meus amores, irei com a cabeça bem alta, sem medo, porque estarei em companhia de Nosso Senhor e com a Virgem Maria, que me acolherão em seus braços.


Meu bom marido, continua educando nossas crianças como eu teria desejado fazê-lo junto a ti.


Ashiq, filhos meus amantíssimos, vou deixá-los para sempre, mas os amarei por toda uma eternidade.


Mamãe".


Fonte: ACIDIGITAL

O que é a Teologia da Libertação?



Em face da condenação de um livro de Jon Sobrinho, um dos teólogos líderes da teologia da libertação, pela Sagrada Congregação da Doutrina da Fé, do Vaticano, a discussão sobre esta teologia voltou a campo.

Um grupo de teólogos desta linha acaba de publicar um livro contestando a ação do Vaticano e do Papa. São eles: Marcelo Barros, Leonardo Boff, Teófilo Cabestrero, Oscar Campana, Víctor Codina, José Comblin , Confer de Nicaragua, Lee Cormie, Eduardo de la Serna, José Estermann, Benedito Ferraro, Eduardo Frades, Luis Arturo Garcia Dávalos, Ivone Gebara, Eduardo Hoornaert, Diego IrarrázavaI, Jung Mo Sung, Paul Kmitter, João Batista Libânio, María y José Ignacio López Vigil, Carlos Mesters, Ricardo Renshaw, Jean Richard, Pablo Richard, Luis Rivera Págan, José Sánchez, Stefan Silber, Ezequiel Silva, Afonso Mª Ligório Soares, José Sols, Paulo Suess, Luiz Carlos Susin, Faustino Teixeira, Tissa Balasuriya, e José María Vigil.

A Associação Ecumênica de Teólogos/as do Terceiro Mundo Mundo publicou o livro “Bajar de la cruz a los pobres: cristología de la liberación”.

Muitos perguntam, o que é afinal, esta teologia da libertação? Vou responder esta pergunta com a resposta que deu a ela a autoridade da Igreja Católica; o Cardeal Joseph Ratzinguer, escolhido pelo Papa João Paulo II, em 1981, para ser o Prefeito da Sagrada Congregação da Doutrina da Fé; aquela que está encarregada de cuidar da “sã doutrina” (1Tm1,10; 4,6; Tt1,9; 2,1;2,7; 2Tm4,3), que com tanta ênfase São Paulo recomendava a Timóteo e a Tito. Hoje o então Cardeal Ratzinger é o Papa Bento XVI.

A teologia da libertação surgiu, mais especificamente, na América Latina, na década de 60, e ganhou adeptos principalmente nas Comunidades Eclesiais de Base. A partir dos anos 80 pudemos sentir mais de perto a sua ação. Foi então que o Cardeal Ratzinger, escreveu um importante artigo intitulado “Eu vos explico a teologia da libertação” (Revista PR,n. 276, set-out, 1984, pp354-365), onde deixou claro todo o seu perigo. Analisando este artigo, D.Estevão Bettencourt, afirma: “O autor mostra que a teologia da libertação não trata apenas de desenvolver a ética social cristã em vista da situação socioeconômica da América Latina, mas revolve todas as concepções do Cristianismo: doutrina da fé, constituição da Igreja, Liturgia, catequese, opções morais, etc.

Entre as afirmações, o então Cardeal Prefeito diz:

“A gravidade da teologia da libertação não é avaliada de modo suficiente; não entra em nenhum esquema de heresia até hoje existente; é a subversão radical do Cristianismo, que torna urgente o problema do que se possa e se deva fazer frente a ela”. (os grifos são meus)

“A teologia da libertação é uma nova versão do Cristianismo, segundo o racionalismo do teólogo protestante Rudolf Bultmann, e do marxismo, usando “a seu modo”, uma linguagem teológica e até dogmática, pertencente ao patrimônio da igreja, revestindo-se até de uma certa mística, para disfarçar os seus erros”.

O então Cardeal foi muito claro ao afirmar o perigo:

“Com a análise do fenômeno da teologia da libertação torna-se manifesto um perigo fundamental para a fé da Igreja. Sem dúvida, é preciso ter presente que um erro não pode existir se não contém um núcleo de verdade. De fato, um erro é tanto mais perigoso quanto maior for a proporção do núcleo de verdade assumida”.

E o Cardeal vai explicando esta teologia “nova”:


“Essa teologia não pretende constituir-se como um novo tratado teológico ao lado dos outros já existentes; não pretende, por exemplo, elaborar novos aspectos da ética social da Igreja. Ela se concebe, antes, como uma nova hermenêutica da fé cristã, quer dizer, como nova forma de compreensão do Cristianismo na sua totalidade. Por isso mesmo muda todas as formas da vida eclesial; a constituição eclesiástica, a Liturgia, a catequese, as opções morais…”

“A teologia da libertação pretende dar nova interpretação global do Cristianismo; explica o Cristianismo como uma práxis de libertação e pretende constituir-se, ela mesma, um guia para tal práxis. Mas, assim como, segundo essa teologia, toda realidade é política, também a libertação é um conceito político e o guia rumo à libertação deve ser um guia para a ação política”.

A libertação, para a teologia da libertação, é conquistada pela via política, e não pela Redenção de Jesus, o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo1,29). Jesus veio para “salvar o seu povo dos seus pecados” (Mt 1,21), e disse a Pilatos que “o seu Reino não é deste mundo”. O pecado, para a teologia da libertação, se resume quase que só no “pecado social”, mas este, não será “arrancado” com a conversão e com os Sacramentos da Igreja, mas com a “libertação” do povo, pela luta política. Daí o fato de haver um laxismo moral e espiritual em muitos adeptos dessa teologia.

Muitos não valorizam a celebração da Missa, a não ser como uma “celebração de mobilização política” do povo oprimido. Não se valoriza suficientemente a oração, a Confissão, a Eucaristia, o santo Rosário, a adoração ao Santíssimo Sacramento, e a todas as práticas de espiritualidade tradicionais, que são, então, consideradas superadas e até alienantes.

Conheço vários jovens sacerdotes que se formaram em seminários fortemente influenciados pela teologia da libertação, e que hoje deixaram o sacerdócio, ficaram esvaziados espiritualmente… Noto que nem se realizaram no campo social e nem no campo religioso.

O então Cardeal Ratzinguer mostrou que é difícil enfrentar esse perigo, pois, como afirma:

“Os teólogos da libertação continuam a usar grande parte da linguagem ascética e dogmática da Igreja em chave nova, de tal modo que aqueles que lêem e escutam, partindo de outra visão, podem ter a impressão de reencontrar o patrimônio antigo com o acréscimo apenas de algumas afirmações um pouco estranhas…”

O então Cardeal mostrou a inversão que se faz no papel da comunidade, povo e história, para a vida da Igreja:


“A comunidade ‘interpreta’, com a sua ‘experiência’ os acontecimentos e encontra assim a sua práxis”. ”‘Povo’ torna-se assim um conceito oposto ao de ‘hierarquia’ e antítese a todas as instituições indicadas como forças da opressão. Afinal, é ‘povo’, quem participa da ‘luta de classes’; a ‘ igreja popular’, acontece em oposição à Igreja hierárquica.

Por fim, o conceito de ‘história’, torna-se instância hermenêutica decisiva,…a história é a autêntica revelação e, portanto, a verdadeira instância hermenêutica da interpretação bíblica… Pode-se dizer que o conceito de história absorve o conceito de Deus e de revelação”.

Em seguida, o então Cardeal mostra a deturpação também naquilo que é essencial: o Reino de Deus.

“Esse conceito encontra-se também no centro das teologias da libertação, lido porém no contexto da hermenêutica marxista. Segundo Jon Sobrino, o reino não deve ser compreendido espiritualmente, nem universalmente, no sentido de uma reserva escatologicamente abstrata. Deve ser compreendido de forma partidária e voltado para a práxis”.

Aqui se entende porque os adeptos da teologia da libertação militam nos partidos políticos que visam a “libertação do povo”.

O Papa Paulo VI, na Evangelii Nuntiandi, explicou o que é a verdadeira libertação:

“Acerca da libertação que a evangelização anuncia e se esforça por atuar, é necessário dizer antes o seguinte: ela não pode ser limitada à simples e restrita dimensão econômica, política, social e cultural; mas deve ter em vista o homem todo, integralmente, com todas as suas dimensões, incluindo a sua abertura para o absoluto, mesmo o absoluto de Deus…
Mais ainda: a Igreja tem a firme convicção de que toda a libertação temporal, toda a libertação política, mesmo que ela porventura se esforçasse por encontrar numa ou noutra página do Antigo ou do Novo Testamento a própria justificação, … encerra em si mesma o gérmen da sua própria negação e desvia-se do ideal que se propõe, por isso mesmo que as suas motivações profundas não são as da justiça na caridade, e porque o impulso que a arrasta não tem dimensão verdadeiramente espiritual e a sua última finalidade não é a salvação e a beatitude em Deus.”

“A libertação que a evangelização proclama e prepara é aquela mesma que o próprio Jesus Cristo anunciou e proporcionou aos homens pelo seu sacrifício.” (n.33)

Os adeptos da teologia da libertação têm a enganosa mania de pensar que quem não aceita esta teologia não trabalha pelos pobres e oprimidos e não se preocupa com eles; se acham os únicos defensores dos excluídos; é um grande erro.

A Igreja em seus 2000 anos de vida sempre socorreu os desvalidos e ainda o faz, mas nunca precisou lançar mão de ideologias estranhas para isso; sempre agiu pelo puro amor a Jesus Cristo que sofre no doente, no preso, no faminto, etc. A Igreja não precisa que novos teólogos a ensinem a fazer caridade; ela a faz desde os Apóstolos, ela é “perita em humanidade”, como disse Paulo VI.

Hoje 25% das instituições que tratam dos aidéticos são da Igreja; em toda a História da Igreja os santos e santas viveram a verdadeira caridade; só para citar alguns: Santa Isabel da Hungria, S. Vicente de Paulo, S. Francisco de Assis, S. Camilo de Lelis, S. João Bosco, Madre Teresa de Calcutá, Ira. Dulce, e milhares de outros que nunca precisaram reinterpretar o Evangelho e politizar a fé com métodos marxistas de luta de classes, invasão de propriedades alheias fora da lei, etc., para promover os pobres. São os verdadeiros bons samaritanos do Evangelho.

O Papa João Paulo II ao menos por duas vezes, falando aos bispos do Brasil, condenou as invasões de terras:

1 – Ao segundo grupo de Bispos do Brasil, do Regional Sul l da CNBB, em visita “ad limina Apostolorum” de 13 a 28 de Março de 1996, o Papa disse:

“… mas recordo, igualmente, as palavras do meu predecessor Leão XIII quando ensina que“nem a justiça, nem o bem comum consentem danificar alguém ou invadir a sua propriedade sob nenhum pretexto” (RN, 55). A Igreja não pode estimular, inspirar ou apoiar as iniciativas ou movimentos de ocupação de terras, quer por invasões pelo uso da força, quer pela penetração sorrateira das propriedades agrícolas.”

2 – Em discurso em 26/nov/2002 aos bispos do Brasil, ele voltou a dizer:

“Para alcançar a justiça social se requer muito mais do que a simples aplicação de esquemas ideológicos originados pela luta de classes como, por exemplo, através da invasão de terras – já reprovada na minha viagem pastoral em 1991 – e de edifícios públicos e privados, ou por não citar outros, a adoção de medidas técnicas extremas, que podem ter conseqüências bem mais graves do que a injustiça do que pretendiam resolver”.

Não podemos nos fazer de surdos a essas palavras. Concluo com as sábias palavras de D. Estevão:

“O cristão não pode ser de forma alguma, insensível à miséria dos povos do Terceiro Mundo. Todavia para acudir cristãmente a tal situação, não lhe é necessário adotar um sistema de pensamento que é anticristão como a Teologia da Libertação; existe a doutrina social da Igreja, desenvolvida pelos Papas desde Leão XIII até João Paulo II de maneira cada vez mais incisiva e penetrante. Se fosse posta em prática, eliminaria graves males de que sofrem os homens, sem disseminar o ódio e a luta de classes”.

Prof. Felipe Aquino - www.cleofas.com.br